12 de Maio de 2012

Remember the Cash


The Sherriff, he come too and he said: "Sam, how are you?"
And I said: "Well, Sherriff, how are you,
"Damn your eyes."

22 de Abril de 2012

Did I ever tell you about Peter Murphy?


On and on it goes
Calling like a distant wind
Through the zero hour we'll walk
We'll cut the thick and break the thin
No sound to break, no moment clear
When all the doubts are crystal clear
Crashing hard into the secret wind

20 de Abril 2012

Se o seu empreendimento é dos homens, esta obra acabará por si própria;
mas, se vem de Deus, não conseguireis destruí-los, sem correrdes o risco de entrardes em guerra contra Deus.
Act 5, 38-39.


Passou então o dia 20 de Abril de 2012.

Neste dia, o Presidente Bashar al-Assad foi acusado de quebrar o acordo estabelecido pelo plano de Kofi Annan para cessar a violência na Síria.

Em África, o Presidente Al-Bashir fez sérias ameaças contra o Sudão do Sul, em declarações que alguns analistas descrevem como uma declaração de guerra, e que surgiu no seguimento de disputas territoriais na zona de fronteira entre os dois países.

Vladimir Putin confirmou que as punk rockers da banda feminista Pussy Riot vão continuar presas, no seguimento do seu protesto contra o Presidente Russo dentro de uma catedral em Moscovo.

De França chegam-nos notícias de um aumento nas intenções de voto na candidata Marine Le Pen, reveladas por sondagens feitas para as eleições Presidenciais deste fim de semana.

Na Áustria, a cidade de Fucking não viu o seu nome ser alterado para Fugging, frustrando assim os desejos de muitos dos seus residentes, fartos de serem alvo constante de piadas fáceis por parte de esrtangeiros.

Por cá, Portugal acordou para a ressaca de uma grande vitória do Sporting sobre o Bilbao, por 2-1, na primeira mão das meias finais da Liga Europa.

E assim se passou o dia de 20 de Abril de 2012. Prosseguiu o movimento habitual de translação e rotação da Terra e o activista de sofá, curiosamente, não se transformou em salvador do mundo moderno.

Alguém se lembrou sequer desta patetice?


16 de Abril de 2012

"Precisamos desesperadamente de ração para cão"


Pérolas da União Zoófila, mais uma dessas abjectas instituiçoes "amigas dos animais".

Mas doentio mesmo é ver que esta recusa de meia tonelada de ração continua a ser aplaudida por milhares de imbecis, como pode ver-se nas caixas de comentários da notícia e em vários posts no Facebook.

14 de Abril de 2012

Did I ever tell you about My Elegance?


I told you to be patient
I told you to be fine
I told you to be balanced
I told you to be kind
Now all your love is wasted?
Then who the hell was i?
Now i'm breaking at the britches
And at the end of all your lines

15 de Março de 2012

Cerelac

Existem várias formas de o preparar, Rita, mas só uma é perfeita:

Thursday throughout Thursday

A bit of Donovan in the morning hours - Jersey Thursday


Bowie in the afternoon - Thursday's Child


And Thursday by night - Understanding In a Car Crash

14 de Março de 2012

Naufrágios II

Nesta segunda edição da série Náufragos: o que raio vieste cá tu fazer? irei prestar um serviço público a um determinado grupo de risco que, de acordo com um estudo norte-americano, se encontra em franco crescimento: falo, obviamente, do grupo de indivíduos que perderam sujeitos coloniais.


A primeira sugestão, e também a mais óbvia, é o ponto de partida mais elementar para qualquer busca de um objecto perdido: procure atrás do sofá.

Se acaso não tiver encontrado os sujeitos coloniais atrás do sofá, é bastante provável que os encontre imediatamente antes dos predicados coloniais.

Nada? E que tal pôr um anúnico nos pacotes de leite da maior cidade do estado da Renânia do Norte Vestfália?

Em desespero, poderá ainda procurar aqui, nesta obra prima de 1994 de Sid Meier, disponível para download - provavelmente ilegal - aqui.

E se nenhuma destas sugestões resolveu o seu problema, resta-lhe ainda a derradeira opção de encontrar sujeitos coloniais na fotografia que abaixo segue. Boa sorte!

(clique na imagem para a aumentar, facilitando a procura dos sujeitos coloniais)

Estive quase para desenvolver o tema dos sujeitos coloniais à luz do conceito pan-óptico foucaultiano abordado em Surveiller et Punir (1975), leitura que suspendi recentemente. Cheguei até a esboçar um post neste sentido, mas abandonei-o quando percebi que era um assunto demasiado complexo para o tempo que eu tenho disponível e a seriedade a que esta série me obriga. Deixo no entanto aqui a devida referência com um propósito claro: no caso de alguém se fazer ao mar à procura deste assunto e tiver o descaramento de vir dar ao Árvores Despidas através de um motor de pesquisa identificável pelo Sitemeter, retomarei tanto o livro como o post guardado em rascunho.

When Your Mind's Made Up


You see, you're just like everyone
When the shit falls all you want to do is run, away
And hide all by yourself
When you're far from me, there's nothing else

13 de Março de 2012

Naufrágios I

Caro cidadão,

Enquanto você anda distraído com assuntos de somenos importância, fique a saber que há todo um universo replecto de coisas maravilhosas que se desenvolve ao seu redor como fungos em pé-de-atleta. O anel de bigode é disto apenas um exemplo.


É claro que, para o cidadão comum, anéis de bigode soará a uma pouco harmoniosa conjugação aleatória de palavras escolhidas ao acaso. Ora comece então por desenganar-se, libertando-se, por favor, de preconceitos. A série Naufrágios – o que raio vieste cá tu fazer? foi também feita a pensar em si, cidadão comum, para abrir a sua mente.

O bigode, como todos sabem, é talvez o mais evidente sinal exterior de aristocracia, e esteve até há bem pouco tempo reservado para uma pequena elite merecedora de tamanha distinção divina. Uma elite particular que, aliás, se desobra pelos dois géneros, ao contrário do que julga a maioria. Já o anel, na sua forma circular completa, perfeita, representa a confiança, a determinação e a certeza da vitória, atributos notoriamente difíceis de domesticar pelos pobres de espírito.

O anel e o bigode simbolizam assim tudo aquilo que está vedado, pela graça selectiva de Deus e pelas misteriosas designações da natureza humana, à quase totalidade dos homens e das mulheres deste mundo. A imagem de um patamar que você, certamente, nunca poderá atingir.

Errado.


Agora, e por apenas 44 Reais Brasileiros, (menos de 20 Eur, mais portes de envio), você poderá possuir um destes maravilhosos adereços, incrivelmente útil  para inverter virtualmente qualquer situação embaraçosa em que possa vir a encontrar-se. Algo, portanto, fundamental para levar consigo durante todos os dias do ano. Para isso, basta seguir esta ligação (carregue em “esta ligação”, idiota).

Mas há mais! Caso esteja a sentir na pele os violentos efeitos da crise económica que atravessamos, não se preocupe que o Árvores Despidas pensou também em si. Por um valor bastante mais em conta, poderá também juntar-se ao clube exclusivo de portadores de anel de bigode, embora isso implique que seja colocado automaticamente numa divisão inferior. Pormenores desagradáveis à parte, fique então a saber que poderá você também adquirir um anel de bigode de pobre por apenas 3 Dólares Americanos, seguindo esta ligação.


Seja feliz, volte sempre, e não se esqueça:

Não há ventos favoráveis para quem navega sem rumo, a não ser que o vento o traga ao Árvores Despidas.

Naufrágios

Se em várias ocasiões me engano, noutras tantas não tenho dúvidas: uma das coisas mais fascinantes de ter um blogue é a possibilidade que nos é dada de descobrir até que ponto é que vocês, – caros visitantes do acaso, queridos leitores de circunstância, destemidos navegadores dos oceânicos motores de pesquisa, até que ponto é que vocês, dizia – os naufragos da blogosfera, são torpes, dementes ou tão simplesmente bizarros.

Este blogue é pessoa de bem e, como tal, evitarei tanto quanto possível a referência a termos menos próprios, oprobriosos ou ananicados.

E, assim sendo, decidi pegar nalgumas das procuras mais curiosas que vos trouxeram até mim, e desenvolver em post alguns dos temas mais fora do comum. Como este é um blogue essencialmente hipster, que não pretende chegar às massas (e aparentemente é também um blogue com vida própria, que se dá ao luxo de exibir personalidade, vontade e pretensões), ele irá pelo menos esforçar-se no sentido de disponibilizar uma série de informações precisosas, exclusivamente dedicada aos mais criativos dos cibernautas.

Pelo que declaro oficialmente aberta a série “Naufrágios – o que raio vieste cá tu fazer?


12 de Março de 2012

Isobel Campbell & Mark Lanegan


And I'm not one for thinking twice
But I know this much is true
The earth will turn, the pot'll burn
And you are my revolver

11 de Março de 2012

Da Fé e dos Repolhos


No princípio da semana estive no Sul do Líbano a colher laranjas com um batalhão de famílias Shiitas. No fim do dia sentámo-nos à volta de uma fogareiro a beber café e a descascar engenhosamente clementinas com as crianças.

No dia seguinte segui para o Norte do país, para a quinta de um amigo Sunita. Fizémos a vistoria às novas plantações de batata e experiências com as sementes de alface que importámos da Austrália. Depois passámos o resto da tarde a fumar cigarros e a beber chá de gengibre, à sombra de uma oliveira, enquanto ele contava histórias improváveis, de outros tempos que não conheci.

Segui para as montanhas, território Maronita. O frio excepcional que fez este Inverno levou a que se perdesse quase metade da colheita de tomate, mas as videiras estão bem e recomendam-se. Quiseram ouvir música da minha terra: dei-lhes Amália e eles responderam com Fairuz. Mas no fim foi o Favas com Chouriço do José Cid, com direito a tradução simultânea, que mais entusiasmou a audiência.

Das lutas pelo poder, dos conflictos religiosos, das guerras com os vizinhos, por ali não reza a história. Das notícias só o tempo interessa. Ignoram o câmbio do dólar, mas sabem ao milímetro a quantidade de chuva que falta ainda caír. Várias gerações vivem aparentemente felizes numa mesma casa, e até as duas mulheres do meu amigo Sunita partilham pacíficamente o mesmo tecto.



Era só mesmo para dizer que o que eu gosto mesmo é do campo.

They say "Fairuz is our Amália"



بحبك يا لبنان
يا وطني بحبك
بشمالك بجنوبك
بسهلك بحبك

I love you Lebanon
My country, I love you
Your north, your south,
Your coast, I love you

10 de Março de 2012

Algures em Caxemira


Fecho da fronteira em Wagah, Caxemira, entre a Índia e o Paquistão.

9 de Março de 2012

KONY 2012

Deixo aqui algumas considerações em relação ao vídeo Kony 2012 que se tornou viral em poucos dias e motivou acesa discussão em diversas redes sociais.

O Lord’s Resistance Army (LRA), liderado por um lunático de graça Joseph Kony, e que sucede ao Movimento do Espírito Santo liderado pela não menos lunática Alice Auma, actua na região desde há mais de 25 anos. Os seus avanços e recúos são estratégia corrente, como diz, e bem, o vídeo citado, pelo que tudo indica que voltem a atacar em força à primeira oportunidade, caso essa possibilidade se apresente. Isto mesmo apesar de nunca terem estado sob tanta pressão, escorraçados que foram do Uganda, do Sudão (actual Sudão do Sul) e da República Democrática do Congo para a República Centro Africana, o seu último reduto.

Notei, há uns anos, com enorme surpresa e agrado, que os exércitos destes três países tinham unido esforços no propósito de eliminar este movimento, e se deslocavam juntos, atravessando fronteiras, atrás dos seus inimigos. Numa região mergulhada em micro-guerras desde há décadas, fortemente marcada por acesas rivalidades tribais, em constantes lutas por recursos minerais, água, alimento, e onde as populações são frequentemente usadas como instrumentos de lutas políticas que, no fundo, pouco lhes dizem respeito, esse episódio único que tive oportunidade de testemunhar foi de facto um momento histórico, e que traduz bem a importância da luta contra o LRA.

Tal como diz João Silveira, lido numa discussão do Facebook, o princípio da prudência é perfeitamente razoável, e não é preciso ter a “mania da conspiração” para perceber isso. Se algo, como neste caso o movimento Kony 2012, causa estranheza, é prudente não o divulgar antes de fazer alguma investigação a seu respeito. Por outro lado é evidente que o vídeo é muito apelativo à sensibilidade de qualquer pessoa, pelo que a “viralidade” com que tem sido divulgado não surpreende nem pode surpreender ninguém.

Em relação à campanha

Esta campanha é sem dúvida duvidosa. Para começar contém erros grosseiros em dois pontos fundamentais: nos números que apresenta de rebeldes e vítimas, e na omissão do factor petróleo. Para quem reclama estar a trabalhar no país há tantos anos, estes erros são inaceitáveis. Não sei se são resultado de ignorância ou má fé, mas em qualquer dos casos merece no mínimo a nossa desconfiança.

A contabilidade desta ONG é duvidosa e pouco transparente. Quem conhece minimamente o mundo das ONG de hoje, sabe que a falta de transparência, especialmente para projectos desta dimensão, vem geralmente acompanhada de uma auto-proclamada seriedade. Não obstante a eventual vitimização e o argumento recorrente de que “há sempre alguém a querer deitar abaixo”, a negação da possibilidade de auditorias externas é uma opção deles, pelo que têm que se sujeitar à desconfiança.

Devo dizer ainda que, ao contrário do que alguns têm tentado defender, é muito relevante que apenas cerca de 32% de um orçamento de mais de 8 milhões de dólares seja utilizado nos custos directos, nos quais se incluirão provavelmente custos de deslocação e alojamento. É aliás ridículo pretender tratar isto como um mero pormenor.

Quanto à “contra-campanha”, considero antes de mais que as referências ao “Uganda pouco democrático” e ao “apoio ao SPLA” é injusto e despropositado. Até porque, partindo desse princípio, seria impossível prestar qualquer tipo de apoio a virtualmente qualquer país do mundo (e certamente de África...).

É perfeitamente legítimo apoiar projectos específicos, organizados, com propósitos reais e resultados quantificáveis em cooperação com grupos como o Sudan People’s Liberation Army (SPLA), sem legítimar os abusos que são cometidos por eles fora desse projecto específico. Recordo que este exército, o braço armado de um movimento com o mesmo nome, encabeçou o movimento que conduziu à independência do Sudão do Sul, e o seu último líder é o actual presidente do novo país.

Por outro lado, falou-se da falta de democracia no Uganda, bem como dos abusos cometidos por Museveni, o presidente desde 1986, na sua caminhada para o poder desde meados da década de 80. Como sugestão de que os factores acima referidos tiram legítimidade a este movimento, estes argumentos são francamente desonestos e reduzem a complexidade do país e da sociedade a padrões que, obviamente, não se aplicam da mesma maneira que na Europa. Se os abusos existiram e continuam a existir, muito pouca relevância assumem neste caso particular.

A questão dos recursos

O lago Alberto situa-se entre a RDC e o Uganda e contém enormes reservas de petróleo, um facto que era desconhecido até há poucos anos. Esta descoberta foi tornada pública em 2006 e pude ver que, na altura do anúncio, os Americanos montaram no lado Congolês duas bases de formaçao militar enquanto começavam as negociação entre o governo e as empresas de exploração de petróleo. Assim que, de forma surpreendente, caíram as negociações com o governo Congolês (literalmente de um dia para o outro), as atenções viraram-se em exclusivo para o Uganda, onde as negociação estavam também já em curso. É importante referir que na RD Congo reina a corrupção elevada ao absurdo, de onde resulta uma quase anarquia em relação à exploração dos seus aparentemente infinitos recursos naturais. É evidente que existiriam condições mais favoráveis à exploração do lago a partir do lado Congolês, através de negócios e acordos feitos nos bastidores. Esta forma de negociação não é, de todo, estranha ao Uganda, mas é importante referir que se faz de forma muito menos escandalosa que na RDC, pelo que se poderia esperar uma maior legitimidade e transparência em negócios com Museveni e, consequentemente, maiores custos para as empresas exploradoras.

Mais uma vez, insisto na relevância desta questão ter sido omitida no vídeo da campanha. Pelo contrário, vão ao ponto de declarar que o Uganda não possui quaisquer recursos que interessem às outras potências mundiais.

Sendo que é provável que volte a este tema nos próximos dias, quero deixar claro que, não obstante a desconfiança que eu possa ter em relação a esta campanha, (razão pela qual decidi não divulgar o vídeo senão para fazer a devida referência neste artigo) todo o bem que dela possa surgir é algo que não deve nem pode ser ignorado. Também por isso não condeno que outros o partilhem.

Para terminar, e para que fique clara a minha posição em relação a outras insinuações que têm surgido: para mim é certo que Joseph Kony e o LRA constituem ainda uma ameaça real e por isso devem ser perseguidos até à captura do seu líder e à eliminação do seu exército.

1 de Março de 2012

As Vantagens da República


As vantagens da República são essencialmente vantagens financeiras.




Não é tudo. Não é sequer o mais importante.



 
Mas ao menos que não fosse sempre e só para a mesma corja.

29 de Fevereiro de 2012

For the sake of the argument

Existe algum impedimento moral ou legal a que eu inclua no menu do meu restaurante crianças abortadas até às doze semanas?

27 de Fevereiro de 2012

Quando a Mediocridade é a Norma

Há padrões que se tornam demasiado evidentes para passarem despercebidos. Ao ver que a notícia da Reuters a que fiz referência aqui foi difundida ipsis verbis por várias agências noticiosas (incluindo em Portugal, devidamente traduzida), fiquei com curiosidade em saber mais sobre a origem da notícia e o autor da mesma.

Sem espanto, descobri com facilidade que o autor da fictícia da notícia, Alistar Lyon, é um conhecido propagandista, com provas dadas repetidamente na desinformação e na manipulação dos leitores da Reuters e seu fiel rebanho.

Infelizmente é este o jornalismo que define a agenda, que formata opiniões, que gera ódios baseados em mentiras e deturpações. É o artigo manipulador deste jornalista que é repetido por todos os jornais do mundo, e que serve de justificação para a defesa, neste caso, de um grupo radical e perigoso que visa destabilizar o país em nome de uma democracia que não anseia nem pretende.

Assim se constrói a nossa sociedade maniquísta, monocromática e perfeitamente adequada àqueles que necessitam da idiota-utilidade geral para levarem adiante os seus propósitos obscuros, flutuando sobre a lama da imbecilidade geral e ignorância colectiva.

Como convém, decidiu-se que a abordagem a esta questão fosse, mais uma vez, definida pela cor política de cada comentarista. Ficou definido que uma certa esquerda fosse colocada ao lado do actual regime Sírio, e que o resto da opinião se juntásse ao coro da indignação contra o regime, colocando-se ao lado dos movimentos ditos pró-democracia. Quanta ingenuidade!

Quanta evidência será necessária para que se perceba que as visões puramente dualistas não servem para resolver os problemas geopolíticos actuais. Que tais posições se limitam a servir os propósitos das agendas subversivas dos interesses obscuros?

Quão paradoxal se apresenta a realidade quando, numa época em que a informação foi democratizada através do advento da internet e das redes sociais, os pólos de opinião, reductores e simplistas, se mantêm em relação às mais diversas questões. Desde a geopolítica, à religião, ao futebol, à história, tudo se resume à imbecilidade da opinião pré-formatada, insistente espelho que reflecte pouco, tão pouco mais do que a visão pré-definida que os jornais persistem em passar.

Vêmo-nos na iminência de uma guerra mundial. De Orwell a Hitler, nada aprendemos com os nossos pais.

Entretanto foi anunciado que será Kofi Annan a liderar a mediação para o fim da violência na Síria, em nome da ONU e da Liga Árabe. Uma decisão consensual por ser uma figura aparentemente simpática aos olhos de várias potências mundiais, nomeadamente as mais directamente envolvidas neste conflicto. A meu ver uma decisão errada, pelo menos pelos sucessivos fracassos estampados no currículo do ex-Secretário Geral das Nações Unidas. Contam-se, entre outros, a sua passividade perante o genocídio do Ruanda, o rebentar do escândalo do programa “Oil-for-Food” durante a sua “legislatura”, e as mediações no Iraque e no Sudão/Darfur que, apresentados como sucessos, foram na realidade situações onde a aparente victória nas negociações durou apenas poucos dias. São na minha opinião demasiadas provas de mediocridade para que inspire a confiança necessária para tão grande desafio que lhe é agora proposto.

26 de Fevereiro de 2012

Conclusões lógicas de uma imprensa isenta

Tal como foi anunciado, o referendo para a nova constituição da Síria está a decorrer como previsto, apesar dos distúrbios que continuam em vários pontos do país.

Continuando a sua aventura pela contra-informação, a Reuters apresenta a informação sobre o referendo da seguinte forma:

Pelo menos 31 civis e soldados Sírios foram mortos no Domingo em lutas pelo futuro da Síria, no dia da votação para uma nova Constituição que poderá manter o presidente Bashar al-Assad no poder até 2028”.

Gostava de conseguir perceber como é que à Reuters é permitida a ousadia de sugerir que o objectivo deste referendo é a manutenção do presidente no poder por mais 16 anos, a partir de uma constituição que, a ser aprovada, prevê as primeiras eleições multi-partidárias em 90 dias.

A culpa será certamente minha, devo estar a transformar-me num comunista.

Christopher Hitchens não assina manifesto!

Notícia de última hora: Contactado pela equipa do Árvores Despidas, Christopher Hitchens declarou não estar disponível para assinar o Manifesto pela Dignidade da Mulher*. Face à insistência da nossa equipa, e perante o choque que causou o anuncio da sua indisponibilidade, aquele que é geralmente aceite como o deus de todos os ateus remeteu-nos para o seguinte vídeo, do qual transcrevemos o seguinte trecho:

Cristopher Hitchens – “[As mulheres] não têm de trabalhar. Podem trabalhar se quiserem, mas não têm de o fazer.”
Entrevistadora –Está a brincar, certo?”
Cristopher Hitchens –Não, não estou. Eu esperaria que elas tomássem conta delas [das crianças]. Trabalhar para quê, vocês não precisam.”
Entrevistadora –Diga-me que está a brincar...”


* Esta notícia é obviamente falsa já que, como sabem, Christopher Hitchens faleceu no passado dia 15 de Dezembro. Que Deus o receba na Sua infinita misericórdia.

24 de Fevereiro de 2012

M' câ tâ gostâ dí nos lider




Pa bo ka konta mas mintira nau
pa bo ka tenta enganan tugo dia
sime bu ta sprumenta nao
ma ki ta manda e nos lider

23 de Fevereiro de 2012

Debate sobre o aborto



Um debate entre Peter Hitchens, a discutir o aborto da perspectiva cristã, e Adam Rutherford, a defender o aborto do ponto de vista ateu. A ver absolutamente, aqui fica a evidência dos mitos e fantasias dos abortistas que caem por terra desamparados quando confrontados com argumentos sérios.

Desde a propaganda da suposta diminuição do numero de abortos com a legalização, ao mito do "perigo de vida para a mulher", à educação sexual nas escolas, às DSTs, à sobreposição do direito da mulher sobre a vida humana não nascida, à questão do início da vida humana; toda - TODA - a besteira repetida vezes sem conta fica aqui desmascarada de forma brilhante.

(Recebido por e-mail via JPS)

Nulla in mundo pax sincera



Inter poenas et tormenta
vivit anima contenta
casti amoris sola spe.

22 de Fevereiro de 2012

Manifesto pela Dignidade da Mulher

Entendemos que a mulher não deve poder ficar em casa nem deve poder trabalhar num horário reduzido de maneira a que não possa aplicar-se na educação dos filhos. Consideramos, ainda, que a mulher não é essencial na educação dos filhos.

Subscrevem*:

(lista em actualização permanente)

20 de Fevereiro de 2012

Só para lembrar...

... que os erros de hoje pagam-se caro amanhã.


Da cruz se faz uma lança em chamas
Que sangra o céu no sol do meio dia
Do meio dos corpos a mesma lama
Leito final onde o amor nascia.

16 de Fevereiro de 2012

O Numeros Negros do Aborto, 5 anos após o Referendo

Antes de mais convém relembrar os mecanismos pelos quais o Sim conseguiu obter a sua trágica victória no Referendo de 2007:



E agora os numeros:

- O numero de abortos aumentou 30% desde 2007.
- O numero de complicaçoes como resultado de abortos legais praticamente duplicou desde 2008 (verificando-se um caso de morte da mae, o primeiro desde 1994)
- O numero de nascimentos atingiu valores abaixo da metade dos ocorridos há 50 anos, numa espiral descendente e decadente para a sustentabilidade do país e a renovaçao das geraçoes.

Os dados podem ser consultados aqui, obtidos através da DGS, do INE e da Eurostat (via Joao Silveira).

As perspectivas?
Um Primeiro Ministro que dizem ser de direita e que votou a favor do aborto, coligado no governo com o "Democrata-Cristao" que nao é quente nem frio, batendo-se contra uma esquerda que, essa sim, dá mesmo vontade de vomitar, tal é o nojo que causam de cada vez que abrem a boca.

Pouco animadoras, portanto.

Did I ever tell you about Bush?



You in the dark
You in the pain
You on the run
Living a hell
Living your ghost
Living your end

15 de Fevereiro de 2012

Referendo para a nova Constituição na Síria

em várias ocasiões referi a importância que tem o factor Constituição no futuro da Síria. Conforme tinha sido anunciado, e findo o prazo de 4 meses establecido por decrecto pelo presidente (16 de Outubro de 2011) para a conclusão do documento, eis então anunciado que a aprovação da nova Constituição será feita por referendo, a realizar-se no dia 26 deste mês.

Apesar de não ter tido ainda acesso ao texto, as boas espectativas que guardava parecem confirmar-se. De acordo com os poucos dados revelados pela agência The Associated Press, que já reviu o documento, “o sistema político será baseado no pluralismo político, e o poder será praticado democraticamente através do voto”. Esta medida porá fim ao actual sistema onde a liderança está garantida ao partido Baath pela Constituição de 1973, ainda vigente. Os mandatos individuais estarão ainda limitados a dois termos de sete anos, e as primeiras eleições parlamentares terão lugar 90 dias após a aprovação da Constituição.

Ao mesmo tempo, a minha profunda desconfiança em relação aos movimentos de contestação também se mantem, especialmente face à sua pronta rejeição do anunciado referendo. Sendo que uma das suas exigências primordiais era a revisão constitucional, e dado que sempre se assumiram como um movimento democrático, esta rejeição é afinal bastante reveladora das verdadeiras intenções daqueles que se auto-denominam o Corpo de Coordenação Nacional para a Mudança Democrática na Síria, que parecem insistir unicamente na deposição do actual presidente como a solução para todos os problemas do país.

Tudo leva a crer que, na realidade, as forças de segurança do país vêm respondendo com brutalidade, à brutalidade com que elementos destabilizadores põem em causa o futuro do país e, em larga escala, da região. Assim, como resultado dos onze meses em que este conflicto foi mais intenso, o número de mortos ascende já aos muitos milhares e – é quase matemático – por cada morte será gerado mais ódio e de cada massacre nascerá um ressentimento impossível de apagar. Tudo isto perdurará inevitavelmente na alma do país, fruto de uma memória que hoje se constrói à custa de inúmeros erros que se não souberam evitar.

11 de Fevereiro de 2012

A violência na Síria

Os sírios entusiasmaram-se com a chamada Primavera Árabe (que ainda vai dar muito que falar) e o Governo sírio procedeu a uma repressão desproporcionada que agravou a tensão numa população tradicionalmente pacífica. É também de supor que as primeiras manifestações anti-governamentais tenham sido instigadas do exterior, já que a chamada "comunidade internacional" insiste na queda do presidente Bachar Al-Assad, sabendo que a sua saída de cena representaria o fim do regime e que a sua substituição por um governo-fantoche permitiria o livre acesso, através do Iraque, a um ataque ao Irão, a única obsessão de alguns líderes ocidentais. Recordo o histerismo de que estava possuída a secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, quando a Rússia e a Síria vetaram, no Conselho de Segurança, a resolução que permitia a invasão da Síria por forças da NATO, como aconteceu na Líbia.

Texto original por Júlio de Magalhães, continuar a ler aqui.

Síria - Do veto da Rússia/China



Como se esperava, a Rússia e a China vetaram esta manhã a Resolução do Conselho de Segurança das Nações Unidas relativa à situação na Síria. Não disponho do texto da Resolução, mas tanto quanto sei através dos órgãos de informação, a dita, além de impor a saída incondicional do presidente Bachar Al-Assad, assumiria a defesa da oposição ao regime, quando é sabido que a maioria da população síria ainda apoia o Governo de Damasco. Tratar-se-ia de mais uma intervenção unilateral do "Ocidente" nos assuntos de um país soberano, como se verificou no Iraque, com o ignóbil pretexto da existência de armas de destruição maciça (que me recorde só os Estados Unidos lançaram até hoje duas bombas atómicas: Hiroxima e Nagasáqui), e mais recentemente na Líbia, onde a NATO, aproveitando a abstenção daqueles dois membros permanentes do Conselho de Segurança na resolução que  pretendia defender Benghazi das tropas de Qaddafi, acabou por invadir e bombardear o país e substituir o regime, facto de que, creio, se irão brevemente arrepender.

Ninguém ignora a interferência estrangeira na luta que a oposição trava na Síria, e que tem contribuído para um elevadíssimo número de mortos e feridos. Podemos inequivocamente afirmar que se instalou no país um verdadeiro clima de guerra civil.

Os acontecimentos desta madrugada em Homs, com mais de 200 mortos e centenas de feridos, testemunham bem a gravidade da situação, que atingiu patamares que jamais seriam alcançados se os protestos, como se verificaram inicialmente, não contassem com armamento estrangeiro e mesmo combatentes oriundos de outros países. É claro que quanto maior for o número de vítimas verdadeiramente sírias, maior será a sede de  vingança; é dos livros e da experiência da vida. Também é verdade que a queda do poder, agora, provocaria um sem número de retaliações, muitas delas gratuitas, como se verifica em todos os conflitos deste tipo.

Importaria uma mediação internacional, não como a que foi tentada pela Liga Árabe (manipulada por outros países) mas verdadeiramente independente. A Rússia havia proposto que Governo sírio e Oposição se sentassem à mesma mesa, o que foi imediatamente recusado pela Oposição, que segue os ditames da administração norte-americana e os projectos de Hillary Clinton e dos seus parceiros francês e inglês e de mais alguns tontos que, persuadidos ou ameaçados, alinham com Washington.

Todos sabemos que, destruído o Iraque, a Síria é o caminho mais fácil para atingir o Irão. Além de que, subjugados estes países, mais simples se torna contornar o sul da Rússia, já que a ocidente os antigos países de "Leste" integram hoje a União Europeia e a NATO.

Segundo informações provenientes do Líbano, o bombardeamento desta madrugada em Homs teria sido uma represália pelo facto das forças da Oposição terem atacado o exército do país, provocando a morte de 10 soldados.

O ministro russo dos Negócios Estrangeiros, Sergei Lavrov, vai deslocar-se terça-feira a Damasco com a missão de encontrar uma solução que permita, para já, suspender as hostilidades.

Aguardemos.


Texto original por Júlio de Magalhães, daqui.

23 de Janeiro de 2012

A propósito da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos

Portas que se abrem para o Caminho Neocatecomunal...

... e se fecham para a Fraternidade Sacerdotal de São Pio X.

Certamente casos controversos e de difícil gestão para o Vaticano. Quando de um lado a convergência é aparentemente inatingível, e do outro as práticas aparentemente incompatíveis, é importante não desanimar e não desistir. Especialmente os que esperavam – platonicamente – que as notícias fossem ao contrário.

É aproveitar a semana, seguindo, por exemplo, esta ligação (pdf).

20 de Janeiro de 2012

El Sche*

Parece que o ódio ao Comandante se tornou subitamente objectivo e indiferente a tendências políticas. Será que finalmente chegámos ao consenso de podermos declarar El Sche*, aberta e universalmente, um cobarde e insano assassino?


*Não estranhai a nova grafia, este post foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico (acho eu).

13 de Janeiro de 2012

Did I ever tell you about Tom Waits?


Turn around to look at you
you're nowhere to be found,
I search the place for your lost face

guess I'll have another round

11 de Janeiro de 2012

Mais um olhar sobre a Síria

Antes de avançar com a terceira parte da saga “Desmistificando a questão Síria”, e muito a propósito do meu próximo post, chamo a atenção para o artigo de ontem da RR, um testemunho de uma freira carmelita na Síria, do qual destaco as seguintes passagens:

“Começámos a notar que durante manifestações pacíficas havia uma quinta coluna a disparar sobre ambos os lados. Os ataques atingiam alternadamente os sunitas e os alauítas [seita minoritária islâmica, próxima do regime, a que pertence a família Assad], para intensificar o ódio, tal como se fez no Iraque entre sunitas e xiítas”, explica.

Outro exemplo disso é a morte de mais de 200 cristãos na zona de Homs. Segundo a freira: “Estes não foram crimes de natureza confessional mas actos cínicos, com o objectivo de desencorajar os cristãos de se manterem neutros no conflito”.

Outra queixa desta religiosa prende-se com a manipulação da informação que chega ao exterior.

A imprensa internacional também participa nesta manipulação acusa Agnès-Mariam, e dá um exemplo em que a al-Jazeera mostrou uma mulher com uma criança morta nos braços. Segundo o jornalista ela estaria a acusar as forças da ordem de matar a criança. “Nós conhecemos esta mulher. É sobrinha de um pedreiro que trabalha no convento. O que ela disse, de facto, foi ‘Se as forças de segurança tivessem estado aqui o meu filho não teria sido morto’”.

A freira carmelita considera que as vítimas deviam ser todas contabilizadas e todos os atentados aos direitos humanos condenados, mas lamenta que nesta altura só se aponte os crimes do governo e não da oposição. Não nega, contudo, a brutalidade do regime, sobretudo dos serviços secretos que espancam pessoas para obter confissões, verdadeiras ou falsas. Depois disso não há nada a fazer: “fecha-se o circulo. Depois de confessar a vítima é esquecida indefinidamente na prisão. Ninguém se atreve a perguntar por ela”, explica.

Segundo dados da ONU, que não podem ser confirmados independentemente, os conflitos na Síria já causaram cerca de cinco mil mortos desde que começaram, há quase um ano.

9 de Janeiro de 2012

Did I ever tell you about William Shatner?


she just laughed and said,
"Oh you're so funny."
I said "yeah?
Well I can't see anyone else smiling in here."

8 de Janeiro de 2012

Avé Maria

Breve declaração de princípios

Clemente XII, In Eminenti, 28 de Abril de 1738
Bento XIV, Providas, 18 de Maio de 1751
Pio VII, Ecclesiam A Jesu Christo, 13 de Setembro de 1821
Leão XII, Quo Gravioria Mala, 13 de Março de 1825
Pio VIII, Traditi Humilitati, 24 de Maio de 1829
Litteris Altero, 25 de Março de 1830
Gregório XVI, Mirari Vos, 15 de Agosto de 1832
Pio IX, Qui Pluribus, 09 de Novembro de 1846
Quibus Quantisque Malis, 20 de Abril de 1849
Quanta Cura, 08 de Dezembro de 1864
Multiplices Inter, 25 de Setembro de 1865
Apostolicae Sedis Moderatoni, 12 de Outubro de 1869
Etsi Multa, 21 de Novembro de 1873
Leão XIII, Etsi Nos, 15 de Fevereiro de 1882
Humanum Genus, 20 de Abril de 1884
Officio Sanctissimo, 22 de Dezembro de 1887
Dall’Alto Dell’Apostolico Seggio, 15 de Outubro de 1890
Inimica Vis, 18 de Dezembro de 1892
Custodi di Qualla Fede, 18 de Dezembro de 1892
Praeclara, 20 de Junho de 1894
Annum Ingressi, 18 Março 1902

"Produzir um processo tão coerente, tão contínuo, como o da Revolução, através das mil vicissitudes de séculos inteiros, cheios de imprevistos de toda a ordem, parece-nos impossível sem a acção de gerações sucessivas de conspiradores de uma inteligência e um poder extraordinários. Pensar que sem isto a Revolução teria chegado ao estado em que se encontra, é o mesmo que admitir que centenas de letras atiradas por uma janela poderiam dispor-se espontaneamente no chão, de maneira a formar uma obra qualquer, por exemplo a Ode a Satanás, de Carducci"

“Conheço as tuas obras e sei que não és frio, nem quente. Oxalá fosses frio ou quente! Mas como és morno e não és frio nem quente, vomitar-te-ei da Minha boca.”