2 de fevereiro de 2011

Primeiro Ministro da Jordânia Substituído


A propósito desta conversa de ontem, deixo-vos algumas considerações pessoais acerca da demissão do Primeiro Ministro da Jordânia ou se quiserem, em termos formais, a aceitação da sua demissão pelo Rei Abdullah II:

I. A demissão de Samir Rifai, apesar de não ser uma enorme surpresa, foi precipitada pelos acontecimentos recentes que abalaram o mundo Árabe.

II. Não obstante o ponto I, a situação na Jordânia assume contornos fundamentalmente diferentes da vivida na Tunísia e no Egipto: se de um lado a questão é essencialmente económica, do outro prende-se - para além da economia - com questões de base, na esfera politica e social. De regime, portanto.

III. Não é necessária uma análise exaustiva das notícias para se poder adivinhar que há uma agenda comum a todos estes movimentos, orquestrados que são por elementos alheios às massas que enchem as ruas.

IV. Quem tenta fazer crer que o primeiro ponto da agenda é a democracia, ou é tolo ou desonesto.

V. Negar a tentativa de imposição pela força e a nível global do fundamentalismo islâmico pode ser politicamente correcto. Mas é ao mesmo tempo perigoso e garante de força a tais pretenções.

VI. Começam a surgir tentativas (essencialmente na imprensa internacional, é bom de  referir) de associar o descontentamento face ao governo da Jordânia a uma revolta contra a Monarquia. Quem estiver atento verá que todos os movimentos de oposição governamental fizeram questão de sublinhar que a revolta não é contra o Rei.

VII. Apesar do ponto VI, já apareceram alguns elementos mais radicais a sugerir a revisão (leia-se redução) dos poderes Reais, nomeadamente retirando-lhe o poder de demitir o governo.

VIII. É exactamente a relevância do papel do Rei que acaba de garantir (uma vez mais) a estabilidade nacional. Para os mais distraídos, o país acaba de atravessar uma crise política, sem no entanto ter atravessado uma crise política.

IX. Finalmente, gostava de aproveitar a onda de euforia à volta dos movimentos de “libertação democrática” para lembrar uma outra data que hoje se comemora: Foi a 1 de Fevereiro (dos idos de 1979) que regressou a Teerão um grande herói, o Ayatollah Khomeini, cujo percurso para a “libertação democratica” do Irão, tem o mundo vindo a acompanhar, maravilhado, desde há várias décadas.

Sem comentários:

Enviar um comentário