12 de abril de 2011

O Burundi e o FMI

A chuva caía ligeira sobre a estrada para Bujumbura. O Lago Tanganica, desde há já algumas horas, vinha-me fazendo companhia pelo lado esquerdo do carro e, à direita, o Sol começava finalmente a dar sinais de si. Acendi um cigarro enquanto o Tom Waits me lia a Christmas Card from a Hooker in Minneapolis. Foi na manhã de Sábado que cheguei à capital deste pequeno Burundi, algures esquecido pelo mundo à conta dos mais mediáticos vizinhos Ruanda, Congo e Tanzânia.

Nesta manhã de Sábado, como em todas as manhãs de Sábado, pequenas multidões se distribuiam ao longo da estrada, algumas sorrindo outras indiferentes, todas exemplarmente ordenadas: cumpriam o serviço comunitário obrigatório limpando a cidade, mantendo as estradas, apanhando o lixo. Todas estas pessoas – que mais não são do que o todo da população comum: o médico, o estudante, o pescador, o electricista – aparentam aceitar com impressionante naturalidade o trabalho que lhes é forçado por decreto. Uma verdadeira lição de civismo, que bem poderia servir de exemplo para os Portugueses.

Os resultados são tão evidentes para quem visita o país, quanto passam despercebidos para quem nele vive. O Burundi é um país limpo e organizado, as belíssimas praias nas margens do lago são pequenos paraísos quase desconhecidos e o povo é dos mais simpáticos e acolhedores do que tenho visto por África.



Como resultado da intervenção de militares na Missão da União Africana na Somália, o Burundi tornou-se recentemente alvo de atentados terroristas por parte de grupos extremistas, destabilizando o país internamente. O número de mortos no terreno, aliado a campanhas de propaganda que apelam à desobediência militar tem gerado alguns receios de novas revoltas no país, ao que a pequena Missão de Observadores da ONU no Burundi tem resistido aos apelos de desmobilização.

Sem perspectivas de voltar a este país nos próximos anos, espero também não ter os piores motivos para sobre ele voltar a escrever, contrariando as espectativas de analistas mais pessimistas do que eu.

E para não destoar muito do assunto do momento, ofereço-vos um link com uma série de documentos extremamente aborrecidos sobre o Burundi e o FMI.

2 comentários:

  1. óóóó!!! Começei a ler e a achar que era o meu destino de lua de mel, mas afinal não me parece...

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  2. Olha... melhor que o Congo e a Somália (se tiveres mesmo mesmo de escolher)

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