18 de abril de 2011

Tãtã au Congo

Caro Nuno, já há uns anos que vão surgindo alguns patetas alegres, desconsolados, a exigir a censura desse livro. Puro entretenimento... não fosse o facto de outros patetas alegres lhes darem ouvidos! A propósito (ou não), lembrei-me de um post que escrevi em 2007:

Como já todos sabem, Joseph Kabila ganhou as eleições na República Democrática do Congo em fins de 2006. Dia 5 de Fevereiro o Presidente nomeou os 60 membros do Governo do Primeiro Ministro Antoine Gizenga (6 Ministros de Estado, 34 Ministros e 20 Vice-Ministros).

Kasongo Ilunga é nomeado Ministro do Comércio Externo, escolhido de uma lista apresentada pelo seu partido, o UNAFEC (União dos Nacionalistas Federalistas do Congo), liderado por Honorius Kisimba Ngoy.

Ora bem, a lista apresentada ao Primeiro Ministro pelo UNAFEC para potenciais Ministros do Comércio Externo era composta por dois ilustres nomes: Honorius Kisimba Ngoy, líder do partido, e Kasongo Ilunga. Como já havia referido, Antoine Gizenga escolheu Ilunga, em detrimento de Ngoy.

Dia 12 de Fevereiro, alegando razões pessoais, Kasongo Ilunga apresenta ao Governo a sua carta de demissão, o que honestamente me deixou algo perturbado, visto ele ter sido possivelmente o melhor ministro a ter passado alguma vez pelo Congo (e talvez mesmo por toda a África).

Pela sua personalidade carismática, pela sua postura firme e pelo facto de se apresentar como uma pessoa passivel de desempenhar um papel fulcral para tirar o Congo da grave crise em que se encontra mergulhado desde há várias décadas, a sua demisão veio decepcionar todo o país e levou mesmo o Primeiro Ministro a chamá-lo a prestar declarações, na tentativa de demovê-lo das suas intenções.

Long story short, rapidamente se veio a descobrir que o Excelentíssimo Senhor Ministro Kasongo Ilunga, pura e simplesmente, não existe.

O Ministro do Comércio Externo da RDC, em funções de 6 a 12 de Fevereiro de 2007... não existe.


O Presidente Kabila, coitado, ficou algo aborrecido. Aborrecida ficou também a população, que rapidamente agendou uma manifestação em Kinshasa de solidariedade para com Kasongo. E no meio disto tudo, quem ficou verdadeiramente inconsolável foi o próprio Kasongo Ilunga, o único que não teve culpa nenhuma e que viu o seu nome ficar eternamente associado a este caricato episódio político.

Em declarações exclusivas ao africancompunction, Ilunga afirma que “apesar da tristeza de ter que ter desaparecido assim de repente e das comichões com que fiquei depois da combustão instantânea, resta-me o consolo de ter ficado com o nome registado nas páginas doiradas da Wikipedia”.

Depois não me digam que não sao todos um bocadinho:


Kasongo Ilunga... Até sempre!

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