23 de maio de 2011

Ó pra eles a espumar de raiva

Foi esmagadora a maioria do Parlamento Húngaro que aprovou a sua nova Constituição, promulgada pelo Presidente Pál Schmitt a 25 de Abril deste ano.

Curiosamente houve quem começasse logo a panicar. A independência onusiana, incrédula, desatou a fazer perguntas e conferências de imprensa. Mas com cautela, pois o outro querido líder, Ban Ki Moon, não se pode dar ao luxo de aborrecer os credores generosos e de longa data. A Alemanha liberalóide queixa-se que as bases da política europeia foram abaladas. A sempr’isenta Human Rights Watch começa por atirar areia aos olhos de quem ainda tenha paciência para os ouvir através de um eloquente apelo à ilegalidade de uma não-questão, para depois discorrer numa vomitante apologia do direito ao aborto e dos LGBT. Até o BE ficou meio abananado.

Mas qual é, afinal, a razão de tanto medo?

Será o Preâmbulo? “Nós temos orgulho em que, há mil anos, o nosso Rei, Santo Estêvão, tenha fundado o Estado Hungaro em bases sólidas, e tenha feito do nosso país parte da Europa Cristã.”

Ou será o Artigo 2 que define o matrimónio como sendo a união entre um homem e uma mulher?

Ou será a sua referência, no mesmo Artigo 2, a que “A vida do feto será protegida desde a concepção”?

Será a cooperação social com as igrejas? “Para cumprir metas comunitárias, o Estado cooperará com as igrejas”.

Decerto não serão os inúmeros incentivos à família e à natalidade!


“Face ao projecto cultural da Europa, que em grande parte se funde num universalismo absracto e desenraizado, a Hungria escolheu reafirmar a sua identidade nacional” (imagem e tradução livre daqui, texto a que aconselho a leitura completa).

Faço minhas as palavras de Roger Kiska, do Centro Europeu para a Lei e Justiça: “Espero que a Hungria permaneça forte em suas convicções porque o que está em perigo, a vida e a família, é um preço alto demais para se pagar simplesmente para se aplacar os burocratas de Bruxelas”.

E acresento, se me permitem: espero que Portugal encontre força em suas convicções porque o que está em perigo, a vida e a família, é um preço alto demais para se pagar simplesmente para se aplacar os burocratas de Bruxelas.

4 comentários:

  1. Os Constituição Portuguesa foi votada por maioria simples. Grande número de disposições só tiveram o voto favorável do PCP e do PS.

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    1. Sobre a Constituição portuguesa, uma nota: Não houve um grande número de disposições votadas apenas pelo PCP e pelo PS. Houve sim, e na fase mais quente do PREC,um grandíssimo número de disposições, relatvas a direitos, liberdades e garantias, aprovadas por PS, PPD e CDS, com os votos contra do PCP, MDP/CDE e UDP. Houve também numerosas disposições - as programátiacas e ideológicas - que foram aprovadas, já após o 25 de Novembro, com os votos a favor de PS, PPD, PCP, MDP/CDE e UDP, e os votos contra do CDS, que, entretanto, votou favoravelmente, a previsão da «sociedade sem classes» do Artigo 1º. E, Finalmente, a Constituição em votação final global da Assembleia Constituinte, obteve os votos favoráveis do PS, PPD, PCP, MDP/CDE e UDP, e os votos contra do CDS. Nenhuma destas maiorias foi simples, muito antes pelo contrário. Não é, pois, por aí...

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  2. Parabéns pelo texto, em contra-corrente do pensamento único de quem quer fazer de toda a gente imbecil.

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