20 de junho de 2011

Enquanto andais distraídos



Certo de não ser esta uma concertação unânime, estou porém convencido de que há uma significativa parte da população, na qual me incluo, que crê que o cenário político em Portugal está por demais viciado pelos principais partidos políticos, bem como pela falta de um poder que seja livre da sua influência. Este vício é tão mais preocupante quanto extensível ao “quarto poder”.

Mais, estou certo de que não só este grupo de “desconfiados” se estende por todo o espectro politico e ideológico, como ultrapassa ainda os parcos resultados eleitorais que obtiveram os chamados “pequenos partidos” nas últimas eleições (como, alias, tem sido norma desde 1974).

É uma evidente constatação, o desiquilíbrio no tratamento dado pelos media aos diferentes partidos e, se em parte esse desiquilíbrio é justificado por uma questão de tradição, por outro não lhe é alheio o elemento acima referido, i.e., a dependência dos grandes meios de comunicação aos interesses partidários.

Independentemente das razões, o facto em si é (tem de ser!) inaceitável em democracia. A submissão a 2 ou 3 partidos “de sempre”, tanto mais nestes moldes de tal maneira viciados, é no mínimo tão reprovável como a imposição da vontade de um qualquer ditadorzeco, com a agravante de haver, nesta situação, mais gente para roubar mais, pelo menos em potência. É a cleptocracia elevada à potência.

Qual é a lógica “democrática” de haver dois partidos politicos, igualmente legítimos aos olhos da lei, a partirem para um exercício eleitoral condicionados à partida por um mediatismo desigual, com menos espaço para debater idéias e propostas?

A resposta de que o número de filiados , os votos passados, ou a história do partido justificam a desigual atenção não convence, que mais não seja por provocar um efeito “bola de neve”, que tenderá naturalmente ao aumento da própria desigualdade de oportunidades, e a contribuir assim o efeito para a justificação da própria causa, numa lógica falaciosa.

Se é dever dos media, em período eleitoral, divulgar os diversos projectos e programas apresentados pelos partidos que se propõem à AR, como se explica que a vasta maioria dos Portugueses parta para a mesa de voto com conhecimento quase nulo dos diferentes programas, não obstante a dose industrial de “informação” impingida pelas televisões, rádios e imprensa? A resposta é outra evidência: a esmagadora maioria do tempo real de antena é esbanjado com questões sem interesse, curiosidades irrelevantes, desaguisados, peixeiradas e acertos de conta pessoais. E no fim, pasme-se, são os palhaços destes circos quem são recompensados em votos.

É, portanto, óbvio que interesse aos palhaços o circo, e que assim continuem a promovê-lo tanto em “performances” cada vez mais audazes, como pela divulgação do “espectáculo” através dos canais próprios a que têm acesso privilegiado. É que assim tudo continua igual.

Impõe-se, a meu ver, como prioridade a movimentação dos “pequenos partidos” junto à CNE, de forma a que se esclareça os regulamentos das campanhas eleitorais e respectiva constitucionalidade, para que os necessários ajustes sejam feitos e se criem as condições adequadas para eleições realmente justas, equilibradas e isentas.

Agora, repito, porque a três meses das eleições será demasiado tarde.

À atenção óbvia de PCTP-MRPP, PAN, MPT, MEP, PNR, PTP, PPM, PND, PPV, POUS, PDA, PH.

Sem comentários:

Enviar um comentário