31 de julho de 2011

De como eu preveni um ataque terrorista

Foi descoberta, finalmente, a musa inspiradora de Breivik para os atentados terroristas de 22 de Julho na Noruega. Lars von Trier, em entrevista ao jornal dinamarquês “Politiken”, declara-se culpado, aponta as semelhanças entre o massacre de Utøya e a cena final do filme Dogville, e isso fá-lo sentir-se muito mal. Não se sabe, no entanto, se o faz sentir-se tão mal como aquele dia em que se declarou nazi e simpatizante de Hitler.

As declarações de von Trier, como de costume, têm como objectivo pouco mais do que a auto-promoção e isso é um bocadinho feio. Por isso, e para lhe evitar maiores embaraços, promovo-o eu.

Dogville é um filme fantástico. A forma como a fraqueza humana é explorada até aos limites da aparente loucura devolve-nos ao nosso estado mais primitivo. A cedência da razão de alguns perante os seus instintos mais selvagens é legitimada, numa primeira fase, pela multidão que assiste impávida a um espectáculo de degredo, mas depois, alimentada pela inércia da sua passividade, a multidão torna-se ela própria sujeito activo de um circo de horrores cuja marcha parece incontrolável. Fazendo lembrar a cena final de “O Senhor das Moscas” de W. Golding, Dogville dramatiza exemplarmente os efeitos potencialmente devastadores da multidão, agindo como uma massa amorfa, uma dança harmoniosa de moléculas sem alma.


No final do filme, antes do massacre a que alude von Trier, há um diálogo importantíssimo em que Grace, a personagem central, tenta justificar todo o mal que (lhe) foi feito com razões de circunstância, que, dentro daqueles limites, o que (lhe) faziam era o melhor que poderiam fazer. É então acusada de arrogância suprema por não aplicar aos outros, por paternalismo, as normas morais que a si mesma se lhe impõe. Debate-se então Grace com a questão: ‘Is their best really good enough?’

É ao concluir que ‘o seu melhor’ não era suficiente para justificar todo o mal que (lhe) tinham feito, que dá ordens para que se extermine por completo a cidade de Dogville, o que é apresentado como castigo redentor de toda a humanidade.

Farão mais sentido, sob esta perspectiva, as controversas declarações de von Trier. Como objectivo, insisto, poder-se-à considerá-las como mera auto-promoção, mas intrinsecamente, no contexto específico do homem e da sua obra, são afinal de uma perfeita coerência. Claro que esse detalhe é pessoal e pouco relevante, mas daqui sobressaem questões fundamentais de como se vê o mundo e se concebe a história, onde o crime e o castigo, pela irreversibilidade do tempo, serão sempre motivo de discórdia (e assunto para um post muito maior do que aquele a que tenho direito).

Ah, falta o título: Um Lars von Trier calado é o realizador que eu sempre quis ser, mas em vez de ir para a academia de cinema de Nova Iorque fui vender repolhos para África.

17 de julho de 2011

Da Demagogia aplicada à Liberdade de Expressão


Caro Samuel, não percebo a estranheza em relação às orientações do Conselho Académico da UCP, que são perfeitamente legítimas, e que este post (exercício de pura demagogia) deturpa de forma desonesta e incendiária.

“Formas de vestuário dignas e convenientes, adequadas ao local de trabalho próprio de uma Universidade e de uma instituição da Igreja” não levanta quaisquer questões arbitrárias de “bem vestir”. “Batina e hábito de monge” não são, obviamente, formas de vestir adequadas a uma Universidade e instituição Católica, tanto quanto não são calções, chinelos, mini-saias e afins.

“Chamar a atenção dos que se apresentarem de maneira imprópria” nada tem a ver com um “incentivo à delação e à denúncia”. Chamar educadamente a atenção de uma jovem que decide ir a uma uma aula na UCP (por ser o que está aqui em questão), com um decote até ao umbigo, não é entregá-la à “polícia dos bons costumes”.

Isto para me restringir ao comunicado em si, já que as restantes comparações que se encontram no texto, a par das acusações de “insulto” e “grave ataque à liberdade de expressão individual”, são tão ridículas quanto absurdas.

No fundo (optar por formas de vestuário adequadas a cada situação) é uma questão de elementar respeito entre as pessoas, pelo que se as regras do bom senso não ditarem uma prática conforme, uma chamada de atenção torna-se perfeitamente apropriada.

13 de julho de 2011

O Objecto do Direito - Abjecto Objecto

"Till at last the child's mind is these suggestions, and the sum of the suggestions is the child's mind. And not the child's mind only. The adult's mind too-all his life long. The mind that judges and desire and decides-made up of these suggestions. But all these suggestions are our suggestions... Suggestions from the State."



Passo a passo, sem qualquer noção de limites, vamos avançando para o abismo. Seres abjectos impõem suas vontades sobre os mais básicos fundamentos da auto-preservação e do bom senso, enquanto que a platéia aplaude de pé os chamados avanços civilizacionais de uma civilização asfixiada pelo vácuo da sua própria demagogia.

Não faltará muito para voltarmos a ser bombardeados com reivindicações pelo direito à adopção a casais homosexuais e de nada valerá o argumento de que a prioridade que está em causa na adopção é o direito da criança a ser adoptada, e nunca o direito de seja quem fôr a adoptar. De nada valerá porque a lei irá passar. Porque Portugal se transformou num país chik-moderno e está na vanguarda do relativismo auto-destruitivo. Porque nenhuma lei poderá ser considerada aberrante desde que haja alguém a sentir-se discriminado nas suas convicções, por mais aberrantes que estas sejam.

Nos EUA chega-nos a notícia do encerramento de várias instituições de adopção católicas, por incompatibilidade com leis de adopção por casais homosexuais. A práctica anterior, em que as agências católicas encaminhavam estes casais para outras agências de adopção, foi considerada incompatível com as “regras do jogo”. Aparentemente a única solução aceitável para estes vermes seria que a Igreja entrassse em conflicto com a sua própria doutrina, um verdadeiro atentado à liberdade religiosa.


O resultado imediato destas medidas, aquilo que menos interessa a estes trastes, é que duas mil crianças ficarão para já desamparadas. 2,000 órfãos que não valem um tremoço para estes repugnantes pulhas.

Mas desenganem-se se pensam que esta é uma medida isolada, um mero acidente de percurso. No Reino Unido medidas deste calibre já fazem danos há alguns anos. Recordamos que no Reino Unido todas as agências católicas de adopção foram forçadas a fechar portas desde a legalização da adopção por homossexuais.

Em 2009 uma enfermeira perdeu o emprego por se recusar a retirar um pequeno crucifixo que usava ao pescoço; outra foi suspensa por se ter oferecido para rezar por uma doente; agora, foi proibido a um casal cristão o direito a acolher crianças vulneráveis por não apoiar um estilo de vida homosexual, apesar dos seus largos anos de experiência.

Haverá limites?

9 de julho de 2011

D. Duarte em visita à Síria

Para quem não pôde ver em directo, sigam este link para a entrevista de Mário Crespo a D. Duarte, poucas horas depois da sua chegada da Líbia, onde esteve durante três dias a convite “urgente” do presidente al-Assad.

Da imprensa nacional, como de resto seria de se esperar, não saiu (nem provavelmente sairá) nada mais do que um título sensacionalista e meia dúzia de caractéres aleatórios.

Não só deveria ser um orgulho para os Portugueses saber da influência que tem S.A.R. na comunidade internacional, como se deveria entender desta visita um importantíssimo sinal de esperança para a estabilidade na região.

Finalmente, espero que se tenha prestado muita atenção à parte final da entrevista. Uma porta que se abre desta forma para o comércio Português na região é algo a que não nos podemos dar ao luxo de desperdiçar.

Fica mais um exemplo de D. Duarte a actuar na primeira divisão da diplomacia internacional, ao contrário de outros ocupas palacianos a quem, enfim, ninguém realmente dá cavaco.

8 de julho de 2011

Trágicas actualizações

Aparentemente pelas mesmas razões de há 3 meses, um avião da companhia Hewa Bora despenha-se na RD Congo. De acordo com a BBC, contam-se, até ao momento, pelo menos 40 vítimas mortais de um total de 112 tripulantes.

Amanhã é Dia de Independência

(Imagem daqui)

7 de julho de 2011

Sem Roque nem Rei

Sem moeda, sem fronteiras, sem produto nacional, por que raio vimos nós, agora, chorar pela forma como estrangeiros nos qualificam?

Sem filhos, sem emprego, sem reformas, por que raio vimos nós, agora, chorar por dizerem que não temos futuro?

Se vendemos a nossa língua ao Brasil, por que raio nos fazemos indignados por receber um memorando de entendimento in English?

Sem agricultura, sem florestas, sem pescas, por que raio nos queixamos de ser a praia de Madrid, ou o campo de golfe dos Ingleses, ou a praia dos Alemães?

Se nem sequer temos a honra de manter uma dívida sem que esta seja promiscuamente vendida todos os dias, estávamos à espera exactamente de quê?

Da solidariedade da Europa? Do fair-play dos Americanos? Do fair-trade dos Chineses?

1 de julho de 2011

Directamente do Planeta Namek



Apresento-vos um vídeo do homem responsável pela revolução no mundo árabe. Não percam os próximos episódios: “Julian Assange caminha sobre as águas”, “Julian Assange fecha o leak na camada do ozono” e “Chuck Norris derrotado por Julian Assange”.