25 de novembro de 2011

Aedificat Pacem cumprindo Portugal

Na véspera dos 5 do 31, outros 5 se comemoraram. No dia 24 de Novembro de 2006 chegava ao Líbano a UnEng1/FND/UNIFIL*, a primeira das, até agora, 10 unidades da Engenharia Militar Portuguesa destacadas no Sul do Líbano, ao serviço das Nações Unidas.

Cinco anos a Aedificat Pacem cumprindo Portugal! Foi com estas palavras, proferidas ontem pelo Tenente Coronel Engenharia Augusto de Barros Sepúlveda, Comandante da UNEng10, que se concluiu a cerimónia de entrega de medalhas e comemoração da efeméride, no UBIQUE** CAMP, casa dos militares Portugueses no Líbano. O adágio é tão verdadeiro quanto a Portugal honram os mais de um milhar de soldados que têm passado por este país nos últimos 5 anos.


Do enorme legado que tem vindo a ser deixado pela Unidade de Engenharia/FND/UNIFIL, resulta a admiração e respeito que lhe têm não só os outros contingentes militares e civis da UNIFIL, mas também as Forças Armadas Libanesas e as populações locais. O seu quartel, construído de raíz na localidade de Shama, transformou-se imediatamente em posição modelo da UNIFIL. Nos diversos projectos de engenharia e construções para a Missão e trabalhos de apoio às populações locais, ficam sempre evidentes as excelentes qualidades técnicas e humanas dos militares Portugueses, de que são testemunho as inumeras referências elogiosas oficiais recebidas ao longo destes últimos cinco anos.

Tendo encarado a missão sob o lema “Quem cá está não somos nós, é Portugal”, os militares poderão partir satisfeitos por terem cumprido o propósito de continuar a excelente imagem que Portugal tem no Sul do Líbano. Entre os vários projectos de apoio às populações locais, destacam-se a construção de estradas, caminhos agrícolas, apoio médico e sanitário e construção de salas de aulas. No campo religioso, um interessante e enriquecedor intercâmbio religioso tem sido mantido com uma comunidade Cristã Maronita desde o início das Unidades Portuguesas no Líbano. O desporto, através de várias iniciativas promovidas entre o Contingente Português e os civis locais tem sido outro exemplo relevante de cooperação civil-militar, através do aprofundamento dos laços e pela confraternização. Estas iniciativas desportivas foram de resto objecto de uma reportagem efectuada pela TV Globo (Brasil) no fim de Julho deste ano.

Na falta de um representante do Governo Português durante a cerimónia oficial, na falta de sequer uma referência no site oficial do Estado-Maior-General das Forças Armadas, ou do Exército, tampouco do Ministério da Defesa Nacional, aqui fica a nossa humilde mas sincera homenagem a estes Bravos Portugueses.


*UNIFIL – United Forces Interim Force in Lebanon
**UBIQUE – Do lema da Engenharia Militar Portuguesa: Ubique (Por toda a parte).
*** Imagens daqui

17 de novembro de 2011

Síria e a oportunidade perdida

A cada dia que passa o cerco a al-Assad vai se apertando, preparando-se os do costume para uma nova invasão, de novo pelo caminho mais fácil, mais sangrento e, evidentemente, mais rentável. Sempre em nome da liberdade, da democracia. Do raio que os parta.

Desta vez, porém, será mais difícil desbloquear o acesso à Síria do que foi com a Líbia. Apesar da pressão cada vez mais forte exercida pela Liga Árabe, com vista a acabar com a violência e permitir a entrada de observadores estrangeiros, o presidente Russo já veio a público afirmar que não irá permitir uma invasão nos moldes da que foi feita a Kaddhafi.

Tal como seria previsível, os sinais de desconforto começam a tornar-se visíveis um pouco por todo o Médio Oriente, com especial destaque para o Líbano – país que continua sob uma forte dependência do regime de al-Assad. Há dias, num debate televisivo sobre a Síria, dois importantes políticos Libaneses chegaram mesmo ao confronto físico,  num espectáculo fora do vulgar transmitido em directo para todo o país. Mais a norte, na cidade de Tripoli, vários apoiantes de al-Assad têm vindo a público declarar estarem dispostos a pegar em armas para defender o regime vizinho. Tal como, aliás, já havia feito o Hezbollah, através do seu líder Hassan Nasrallah.

De pouco vale, nesta altura, tentar contrariar o inevitável, mas fica de qualquer forma a referência ao facto de ter sido apontado, há mais de quatro meses, um caminho alternativo. Aos mesmos imbecis que se riram e criticaram S.A.R., o Senhor D. Duarte, aquando da sua visita à Síria, sugiro que revejam as suas declarações à SIC Notícias. Na altura denunciou estarem as forças militares e de segurança extremamente mal preparadas, que por isso respondiam desadequadamente a qualquer provocação por parte dos insurgentes, o que naturalmente desencadeou a escalada de violência a que se assiste hoje. Ao pedido de apoio, quando seria fundamental ajudar a preparar as forças militares, o mundo respondeu com sanções económicas e reprimendas paternalistas, e assim se perdeu uma oportunidade única, que viria a revelar-se fatal.

Foi desta forma que, a nível internacional, se animou e legitimou a insurgência que, ao contrário do que alguns poderiam julgar, está a anos-luz de ser uma revolta em nome da democracia. E assim se repetem erros de palmatória, a história dos próximos meses/anos já escrita, e o mundo inteiro ainda a dormir.

16 de novembro de 2011

Vergonha Nacional

Não era isto o que esperavam, certamente, os obreiros da república: passado um mês desde o final das comemorações oficiais do seu centenário, eis o anúncio de que o feriado de 5 de Outubro deixará de ser oficialmente comemorado em Portugal. “Absurdo! As Comemorações do Centenário acabam de terminar; o orgulho republicano deveria estar mais forte do que nunca,” diz um conhecido mação*, “a ética republicana ao rubro!” sublinha. Mas nada mais havia a fazer: a própria república ditara a irrelevância do dia da sua implantação.

Mas o sentido desta decisão, objectivamente, explica-se em breves passagens descritivas do que deveria ter sido a apoteose da celebração da república, a 5 de Outubro de 2010:

Em Lisboa: discurso do PR e do nosso 1ª perante «uma praça com muitas individualidades convidadas, algum povo e dezenas de bigodes de «bigodes da res publica» (figurantes).
No Porto: «As vantagens do regime em foco no eléctrico 100» (que percorreu a marginal)
Em Santa Maria da Feira: «Mais figurantes que assistência em recriação» (histórica).
Jornal de Notícias, 6 de Outubro de 2010 via blog Centenário da República.

Não era isto o que esperavam, certamente, os obreiros da república. Esclareça-se, portanto quem eles são. Há cem anos, como hoje, o povo não está com a república. Há cem anos, como hoje, a república não está com o povo. Os seus obreiros não passam de uma mão cheia de propagandistas que, de lápis em punho, reescrevem a história, inventando, acrescentando e apagando a seu bel-prazer. Pelo meio lá vão introduzindo alguns conceitos novos, exclusivos ao léxico Português: qualificações criativas de conceitos universais, de forma a justificar outras criatividades inqualificáveis.

São estes os verdadeiros heróis republicanos, mais os outros dos tiros pelas costas. É esta a sua ética e é por isso que hoje deveria celebrar-se uma pequena vitória, o fim de uma vergonha nacional. Todos sabem que traidor escreve-se herói, consoante o sucesso de uma revolução. Mas, Portugueses, quanta infâmia carregam os heróis desta república!


* mação = marido da maçã

Amuou

10 de novembro de 2011

Não é que eu seja grande fã da moeda única, mas...

...e se Portugal, Grécia, Espanha, Irlanda e Itália decidissem expulsar a França e a Alemanha do Euro? Tipo só para chatear?

8 de novembro de 2011

Uma volta pelo Congo

Em mês de eleições presidenciais na República Democrática do Congo, convido-os a uma pequena volta pelo país, olhando para algumas das notícias que marcaram a actualidade dos últimos dias. Uma síntese, tão ligeira quanto incompleta, que poderia retratar bem os últimos dias de qualquer dia, desde há incontáveis dias para este dia, de um país em guerra desde o princípio dos tempos, e que conta os seus mortos aos milhões.

FDLR – O grupo rebelde Hutu Ruandês FDLR (Forces Démocratiques pour la Libération du Rwanda) envolveu-se ontem em confrontos com as Forças Armadas Congolesas (FARDC), após um ataque dos primeiros a uma vila no Este do país. Destes confrontos, que duraram toda a noite de Sábado para Domingo, resultou a morte de pelo menos dois soldados Congoleses.

Promoções no Supremo – mais de 50 funcionários do Supremo Tribunal de Justiça receberam esta semana promoções de escalão para juízes, magistrados e conselheiros, respectivamente, por decrecto de Joseph Kabila, uma decisão que está a gerar alguma controvérsia dado o momento escolhido pelo Presidente, em plena campanha eleitoral.

RLTV – Depois de vários cortes pontuais nas últimas semanas, as transmissões da RLTV – estação de televisão ligada a um dos maiores partidos da opocição, o UDPS (Union pour la Démocratie et le Progrès Social) – foram novamente suspensas, após declarações do candidato às Presidenciais Etienne Tshisekedi.

Ruanda restitui 80T+ de minerais ao Congo – Mais de 80 toneladas de minerais preciosos foram esta semana devolvidos pelo Ruanda à RD Congo, tendo sido confiscados após terem atravessado a fronteira ilegalmente. Entre a mercadoria encontrava-se coltan, cassiterite e volframite, num valor de cerca de 10 milhões de dólares, numa estimativa minha. Agora ponha em perspectiva o facto de várias dezenas de camiões não atravessarem ilegalmente as fronteiras para o Ruanda e o Uganda todas as semanas carregados com minerais preciosos, e terá uma noção da importância que este tráfico que não existe assume no panorama político e bélico da região (e do mundo).

Cólera – Há vários meses que se instalou uma nova epidemia de cólera no país, sendo a região do Equador a zona mais preocupante, e onde, apenas nos últimos dias, se registaram mais 23 mortes devido a esta doença, propagada maioritariamente pela falta de higiéne e consumo de água contaminada.

Nyamuragira – Um dos vulcões mais activos do planeta, o Nyamuragira, perto de Goma – capital da província do Kivu Norte – entrou de novo em erupção no passado Domingo, estando o rio de lava a correr em direcção ao Parque Nacional de Virunga, um dos últimos santuários ainda existentes de gorilas ‘silverback’, e zona de vários conflictos tribais, nomeadamente envolvendo os refugiados hutus, cuja migração remonta ao período pós-guerra civil da vizinha Ruanda. As imagens do vulcão em erupção são impressionantes.