16 de novembro de 2011

Vergonha Nacional

Não era isto o que esperavam, certamente, os obreiros da república: passado um mês desde o final das comemorações oficiais do seu centenário, eis o anúncio de que o feriado de 5 de Outubro deixará de ser oficialmente comemorado em Portugal. “Absurdo! As Comemorações do Centenário acabam de terminar; o orgulho republicano deveria estar mais forte do que nunca,” diz um conhecido mação*, “a ética republicana ao rubro!” sublinha. Mas nada mais havia a fazer: a própria república ditara a irrelevância do dia da sua implantação.

Mas o sentido desta decisão, objectivamente, explica-se em breves passagens descritivas do que deveria ter sido a apoteose da celebração da república, a 5 de Outubro de 2010:

Em Lisboa: discurso do PR e do nosso 1ª perante «uma praça com muitas individualidades convidadas, algum povo e dezenas de bigodes de «bigodes da res publica» (figurantes).
No Porto: «As vantagens do regime em foco no eléctrico 100» (que percorreu a marginal)
Em Santa Maria da Feira: «Mais figurantes que assistência em recriação» (histórica).
Jornal de Notícias, 6 de Outubro de 2010 via blog Centenário da República.

Não era isto o que esperavam, certamente, os obreiros da república. Esclareça-se, portanto quem eles são. Há cem anos, como hoje, o povo não está com a república. Há cem anos, como hoje, a república não está com o povo. Os seus obreiros não passam de uma mão cheia de propagandistas que, de lápis em punho, reescrevem a história, inventando, acrescentando e apagando a seu bel-prazer. Pelo meio lá vão introduzindo alguns conceitos novos, exclusivos ao léxico Português: qualificações criativas de conceitos universais, de forma a justificar outras criatividades inqualificáveis.

São estes os verdadeiros heróis republicanos, mais os outros dos tiros pelas costas. É esta a sua ética e é por isso que hoje deveria celebrar-se uma pequena vitória, o fim de uma vergonha nacional. Todos sabem que traidor escreve-se herói, consoante o sucesso de uma revolução. Mas, Portugueses, quanta infâmia carregam os heróis desta república!


* mação = marido da maçã

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