20 de dezembro de 2011

Condolências

Quer eles queiram quer não queiram, no meio dessa “liberdade”, filhos da puta, sem razão e sem sentido.

A doutrina*:
When Kim Il Sung came to power, religious adherents and their families were labeled as “counter-revolutionary elements” and targeted for repression. Recalling his policies to diminish the power of religion in North Korea, Kim Il Sung reportedly admitted that:
We [could not] turn into a Communist society along with the religious people. Therefore, we purged the key leaders above the rank of deacons in Protestant or Catholic churches and the wicked among the rest were put on trial. The general religious people were put into prison camps [and given a chance to reform]…. We learned later that those of religion can do away with their old habits only after they have been killed.
E o relato de um ex-militar (Interviewee 17) do exército Norte-Coreano, e um dos vários entrevistados neste relatório de 2005. Os acontecimentos relatados surgem depois de uma unidade militar ter descoberto por acaso, entre dois tijolos de uma casa demolida, uma Bíblia e um caderno contendo 25 nomes de pessoas e respectivas profissões. O que se seguiu, de acordo com o anterior parágrafo, terá feito as delícias do querido líder:
In November 1996, the 25 were brought to the road construction site. Four concentric rectangular rows of spectators were assembled to watch the execution. Interviewee 17 was in the first row. The five leaders to be executed—the pastor, two assistant pastors, and two elders—were bound hand and foot and made to lie down in front of a steam roller. This steam roller was a large construction vehicle imported from Japan with a heavy, huge, and wide steel roller mounted on the front to crush and level the roadway prior to pouring concrete. The other twenty persons were held just to the side. The condemned were accused of being Kiddokyo (Protestant Christian) spies and conspiring to engage in subversive activities. Nevertheless, they were told “If you abandon religion and serve only Kim Il Sung and Kim Jong Il, you will not be killed.” None of the five said a word. Some of the fellow parishioners assembled to watch the execution cried, screamed out, or fainted when the skulls made a popping sound as they were crushed beneath the steam roller.
O último comentário deste ex-militar, muito mais do que uma questão de fé ou falta dela, revela bem a lavagem cerebral a que estão sujeitos os cidadãos deste paraíso na terra. Perante o homicídio brutal destas cinco pessoas, a conclusão a que o entrevistado chega é a de que morreram simplesmente por serem estúpidas e dementes:
Interviewee 17 thought, at the time, that these church people were crazy. He thought then that religion was an “opiate”, and it was stupid for them to give up their lives for religion. He heard from the soldiers who took away the other twenty prisoners that they were being sent to a prison camp.
Para um partido tão traumatizado com as lutas pela liberdade durante o Estado Novo, com as torturas, com as prisões, com os assassinatos, com os exílios... É no mínimo uma vergonha que tenham o supremo descaramento de expressar as suas condolências ao povo coreano e à direcção do Partido do Trabalho da Coreia pelo falecimento do seu dirigente Kim Jong-Il”.

Continuai a lutar pela vossa verdade; eu luto sempre do outro lado da luta.

*(hiperligação directa para ficheiro pdf, via Actualidade Religiosa)

14 de dezembro de 2011

A Luís de Camões

Sin lástima y sin ira el tiempo mella
las heroicas espadas. Pobre y triste
a tu patria nostálgica volviste,
oh capitán, para morir en ella

y con ella. En el mágico desierto
la flor de Portugal se había perdido
y el áspero español, antes vencido,
amenazaba su costado abierto.

Quiero saber si aquende la ribera
última comprendiste humildemente
que todo lo perdido, el Occidente

y el Oriente, el acero y la bandera,
perduraría (ajeno a toda humana
mutación) en tu Eneida lusitana.

Jorge Luis Borges, 1960

8 de dezembro de 2011

Uma aventura e uma proposta

Cartas, a correspondência pessoal de Florbela Espanca, é a proposta que hoje vos deixo. Hoje, porque o 8 de Dezembro também muito a ela lhe pertence.

E perdoem-me o atrevimento de uma aventura por um universo que não é, decididamente, o meu, mas sobrou, inevitável, de uma noite de intimidade com a Bela. Sim, tecnicamente foi uma noite com as suas Cartas, mas na sua essência é tudo a mesma coisa - vão por mim.

Por tua Quimera,
Rosa triste, linda, murcha.
Que não tiveste. Não soubeste.
Rir.
Sem chorar mais alto. Mais dentro. Não te deixaste.
Ir.
P’ra mais longe. Voar por quem te deixou.
Por quem a morte te levou.
Negra Princesa. Tão Querida.
Tão tarde te beijou.

7 de dezembro de 2011

Sócrates é o espelho da centenária decadência

«A minha visão é que para países como Portugal e Espanha a ideia de que agora é preciso pagar a dívida é uma ideia de criança. As dívidas dos países, pelo menos foi o que eu estudei em economia, são por definição eternas. As dívidas gerem-se, foi assim que eu estudei».

As dívidas não são eternas, eterno é Portugal. E Portugal, mais do que nunca, precisa de alguém que seja capaz de o representar em toda a sua dimensão.

Vocês, tumores da partidocracia, tudo quanto conseguem gerir é a vossa carreira. A gestão do país, como a gestão da dívida, estarão para sempre subjugados à gestão da vossa imagem e dos vossos caprichos; dos vossos delinquentes e criminosos programas mediático-políticos.

A leviandade com que você passou pela governação do meu país enoja-me. A falta de humildade para admitir o erro espelha bem a sua arrogância. A vaidade com que se congratula pelo que julga ter feito de positivo por Portugal, pela Europa, pelo Mundo e pela Humanidade envergonha-me. A incapacidade de arrependimento é aliás característica de um homem menor.

E você, Senhor ex-Primeiro-Ministro, é um miserável.

6 de dezembro de 2011

Meanwhile in Saudi

Há dias chegou-nos a notícia de que a Arábia Saudita se preparava para decretar que as mulheres que tenham os olhos demasiado atraentes sejam obrigadas a cobri-los em público. O objectivo desta medida é evitar provocar a tentação nos homens.

Hoje esta mesma Arábia Saudita esteve em Genebra a distribuir lições de democracia pelos países vizinhos.

O que virá a seguir?

3 de dezembro de 2011

Shame on you!

Eu não ía falar no jogo entre o Benfica e o Sporting da semana passada. Mesmo. Mas não resisto a publicar este vídeo.

O resultado foi justo, o jogo foi bem jogado. Infelizmente para nós, sportinguistas, valeu um golo marcado pelo Javi Garcia, mais o espírito de sacrifício da equipa do Benfica e finalmente a atitude dos seus adeptos, que fizeram as vezes do Cardozo durante cerca de 30 minutos. Infelizmente para o espectáculo, houve vários episódios lamentáveis de parte a parte, antes, durante e depois do jogo, que já foram aliás discutidos até à exaustão.

Mas o que se vê neste vídeo é um nojo. Assim mesmo. Que toda a gente o faça não justifica de forma alguma a atitude desprezível de Jorge Jesus. Os benfiquistas deveriam ser os primeiros a condenar esta falta de fairplay. Espero que o façam, da mesma forma que espero que, a verificar-se uma situação semelhante no Sporting, sejamos nós os primeiros a denunciar e exigir mais e melhor do nosso clube.

Mais do que falta de fairplay, isto é batota! Um exemplo desprezível que é dado a todos os adeptos de futebol. Que os jogadores simulem lesões para ganhar tempo ou para travar o ímpeto atacante da equipa adversária, é grave. Mais grave se torna, obviamente, quando é o treinador que incita à simulação.

Mas quando chegamos ao ponto de um treinador sem um pingo de vergonha na cara poder dar ordens ao seu jogador para fazer batota, atirando-se para o chão, no meio de um jogo e à vista de todos, e isso não seja escandaloso sob qualquer ponto de vista, podemos afirmar sem hesitação que o nosso futebol - espelho da sociedade - está mergulhado numa imensa e nauseabunda porqueira.

Aqui fica o vídeo, decidam vocês...

Magia na Praça


Simplesmente sublime.

2 de dezembro de 2011

O Mundo a Pretibranco

O problema deste post do Bruno Carvalho não é tanto o conteúdo quanto as motivações. Para Bruno Carvalho só existe um inimigo, O Imperialismo! na forma de EUA, UE e Israel. Todo aquele que lhe mostre o dente merece o selo de aprovação 5 Dias, independentemente de quão repugnante o seu rosnar.

Bruno Carvalho defende a necessidade de estabelecer-se o lado da barricada em que cada um se encontra, de forma a que possa encaixar-se todas as peças no seu devido lugar, de um lado ou do outro, sem ter de para isso se recorrer ao penoso exercício de pensar.

Pura ilusão, pensar que pode obter-se qualquer tipo de revolução válida partindo deste tipo de argumentação. Pelo contrário, bem ao jeito orweliano, incendiários desta índole cumprem melhor que ninguém as intenções dos alvos que visam abater – de um lado e do outro. O mundo dividido nos bons e nos maus, simplificado ao extremo da estupidez, só contribui para a cada vez maior ausência de idéias próprias, o debate político reduzido à capacidade de criar slogans. Jingle Politics no seu melhor.

Imagino qual terá sido o espanto, para os lados do 5 Dias, ao saberem da recente visita de D. Duarte à Síria – certamente terá provocado um ou outro curto-circuito no complexo conteúdo programático de tão esclarecidas mentes. Assim se justificará, pelo menos, o estranho silêncio.

Para terminar, deixo aqui parte de um divertido comentário ao post em causa:

"E é por causa de troncos de árvore como você, fascinados com os ayatollahs e com tudo o que cheira a anti-imperialismo consentâneo com o seu livro de citações, que a chamada Primavera Árabe está condenada a transformar-se em ícone de t-shirt." - lpb