23 de janeiro de 2012

A propósito da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos

Portas que se abrem para o Caminho Neocatecomunal...

... e se fecham para a Fraternidade Sacerdotal de São Pio X.

Certamente casos controversos e de difícil gestão para o Vaticano. Quando de um lado a convergência é aparentemente inatingível, e do outro as práticas aparentemente incompatíveis, é importante não desanimar e não desistir. Especialmente os que esperavam – platonicamente – que as notícias fossem ao contrário.

É aproveitar a semana, seguindo, por exemplo, esta ligação (pdf).

20 de janeiro de 2012

El Sche*

Parece que o ódio ao Comandante se tornou subitamente objectivo e indiferente a tendências políticas. Será que finalmente chegámos ao consenso de podermos declarar El Sche*, aberta e universalmente, um cobarde e insano assassino?


*Não estranhai a nova grafia, este post foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico (acho eu).

13 de janeiro de 2012

Did I ever tell you about Tom Waits?


Well I hope that I don't fall in love with you.
'cause falling in love just makes me blue.
Well the music plays and you display your heart for me to see,
I had a beer and now I hear you calling out for me.
And I hope that I don't fall in love with you.

11 de janeiro de 2012

Mais um olhar sobre a Síria

Antes de avançar com a terceira parte da saga “Desmistificando a questão Síria”, e muito a propósito do meu próximo post, chamo a atenção para o artigo de ontem da RR, um testemunho de uma freira carmelita na Síria, do qual destaco as seguintes passagens:

“Começámos a notar que durante manifestações pacíficas havia uma quinta coluna a disparar sobre ambos os lados. Os ataques atingiam alternadamente os sunitas e os alauítas [seita minoritária islâmica, próxima do regime, a que pertence a família Assad], para intensificar o ódio, tal como se fez no Iraque entre sunitas e xiítas”, explica.

Outro exemplo disso é a morte de mais de 200 cristãos na zona de Homs. Segundo a freira: “Estes não foram crimes de natureza confessional mas actos cínicos, com o objectivo de desencorajar os cristãos de se manterem neutros no conflito”.

Outra queixa desta religiosa prende-se com a manipulação da informação que chega ao exterior.

A imprensa internacional também participa nesta manipulação acusa Agnès-Mariam, e dá um exemplo em que a al-Jazeera mostrou uma mulher com uma criança morta nos braços. Segundo o jornalista ela estaria a acusar as forças da ordem de matar a criança. “Nós conhecemos esta mulher. É sobrinha de um pedreiro que trabalha no convento. O que ela disse, de facto, foi ‘Se as forças de segurança tivessem estado aqui o meu filho não teria sido morto’”.

A freira carmelita considera que as vítimas deviam ser todas contabilizadas e todos os atentados aos direitos humanos condenados, mas lamenta que nesta altura só se aponte os crimes do governo e não da oposição. Não nega, contudo, a brutalidade do regime, sobretudo dos serviços secretos que espancam pessoas para obter confissões, verdadeiras ou falsas. Depois disso não há nada a fazer: “fecha-se o circulo. Depois de confessar a vítima é esquecida indefinidamente na prisão. Ninguém se atreve a perguntar por ela”, explica.

Segundo dados da ONU, que não podem ser confirmados independentemente, os conflitos na Síria já causaram cerca de cinco mil mortos desde que começaram, há quase um ano.

9 de janeiro de 2012

Did I ever tell you about William Shatner?


She came from Greece, she had a thirst for knowledge
 She studied sculpture at Saint Martin's College
 That's where I caught her eye
 She told me that her Dad was loaded
 I said "In that case I'll have rum and coca-cola
 She said "fine"

8 de janeiro de 2012

Avé Maria

Breve declaração de princípios

Clemente XII, In Eminenti, 28 de Abril de 1738
Bento XIV, Providas, 18 de Maio de 1751
Pio VII, Ecclesiam A Jesu Christo, 13 de Setembro de 1821
Leão XII, Quo Gravioria Mala, 13 de Março de 1825
Pio VIII, Traditi Humilitati, 24 de Maio de 1829
Litteris Altero, 25 de Março de 1830
Gregório XVI, Mirari Vos, 15 de Agosto de 1832
Pio IX, Qui Pluribus, 09 de Novembro de 1846
Quibus Quantisque Malis, 20 de Abril de 1849
Quanta Cura, 08 de Dezembro de 1864
Multiplices Inter, 25 de Setembro de 1865
Apostolicae Sedis Moderatoni, 12 de Outubro de 1869
Etsi Multa, 21 de Novembro de 1873
Leão XIII, Etsi Nos, 15 de Fevereiro de 1882
Humanum Genus, 20 de Abril de 1884
Officio Sanctissimo, 22 de Dezembro de 1887
Dall’Alto Dell’Apostolico Seggio, 15 de Outubro de 1890
Inimica Vis, 18 de Dezembro de 1892
Custodi di Qualla Fede, 18 de Dezembro de 1892
Praeclara, 20 de Junho de 1894
Annum Ingressi, 18 Março 1902

"Produzir um processo tão coerente, tão contínuo, como o da Revolução, através das mil vicissitudes de séculos inteiros, cheios de imprevistos de toda a ordem, parece-nos impossível sem a acção de gerações sucessivas de conspiradores de uma inteligência e um poder extraordinários. Pensar que sem isto a Revolução teria chegado ao estado em que se encontra, é o mesmo que admitir que centenas de letras atiradas por uma janela poderiam dispor-se espontaneamente no chão, de maneira a formar uma obra qualquer, por exemplo a Ode a Satanás, de Carducci"

“Conheço as tuas obras e sei que não és frio, nem quente. Oxalá fosses frio ou quente! Mas como és morno e não és frio nem quente, vomitar-te-ei da Minha boca.”

7 de janeiro de 2012

Someone once told me about The Feelers


Take the hammer
 Smash the glass
 Take the glass
 Cut the mother earth
 Opens up
 And sucks you down
 It sucks your sorry ass into the ground

6 de janeiro de 2012

Árvores Despidas - 1 Ano


Hoje seria, de acordo com a tradição, o dia do cumprimento do ritual suicída deste blog. O Árvores Despidas cumpre hoje 1 ano desde a sua primeira publicação e, ao que parece, sobreviverá ao seu primeiro aniversário.

Não temai, criaturas de Deus.

Shnorhavor Soorb Tsnund



*São os votos que envio a todos os leitores Arménios, que hoje celebram o Natal.

5 de janeiro de 2012

Foi por pouco

Não queria acreditar, à medida que ía lendo, agradado, o texto em questão. Depois de tentar negá-lo nos primeiros dois ou três parágrafos, eis que a partir do quarto já me encontrava praticamente decidido a fazê-lo. E perto do fim já estava penosa e decididamente certo: decidira, não obstante a contrariedade, fazer um post citando o Rodrigo Moita de Deus.

Os azares de John Galliano

Graças a Deus, Deus afinal citava Almada.

Desta vez foi por pouco...

Did I ever tell you abrout Brian Eno?



Here we are
 Stuck by this river,
 You and I
 Underneath a sky that's ever falling down, down, down
 Ever falling down.

4 de janeiro de 2012

Ainda a Constituição da Hungria


Interrompo a saga Síria para retomar a questão da nova Constituição da Hungria, algo que de resto já tinha mencionado há mais de seis meses aqui.

Antes de mais, e apesar da tentativa de alguns de atirar areia para os olhos através de propaganda falsa ou enganosa, a principal razão para o descontentamento mostrado pela “elite iluminada” com esta Constituição, é o facto de ser um documento que expressa orgulho nacional, que sai em defesa da vida e da família, e que reconhece explicitamente os pilares Cristãos nos quais se estabeleceu a Hungria. O descontentamento não é, portanto, de estranhar, já que são estes exactamente os pilares que têm sido constantemente alvo de tentativas de derrube, pela força de decretos e propaganda enganosa.

Há seis meses, quando me referi a este asssunto, indiquei as principais expressões de descontentamento face à aplicação da Constituição: como seria de esperar, as preocupações originaram dos sempre “moderníssimos” ONU, Missão dos Direitos Humanos da Alemanha, União Europeia, Human Rights Watch e até, surpresa!, do Bloco de Esquerda. Seguindo os links do texto original, podem comprovar que as questões levantadas prendem-se exclusivamente com as questões que acima referi, ou seja, o orgulho nacional, a defesa da vida e da família e o reconhecimento da herança Cristã. Tudo o resto são floreados sem fundamento, baseados em argumentação facilmente desmontável, se atentarmos no texto da Constituição.

Parece que agora a propaganda passa por “divulgar” mentiras enganosas pelos merdia de serviço. Se têm dúvidas em relação à agenda a que, por exemplo, este artigo se propõe a servir, atentem à seguinte frase, largada como que por acaso no fim do texto:

Nas ruas de Budapeste vai deixar de haver “pessoas sem abrigo”, que passam a estar sujeitas a penas de prisão”.

Isto foi escrito por um “jornalista” num artigo sobre a nova Constituição da Hungria. Ofereço um jantar em Budapeste a quem conseguir inferir esta conclusão, ou qualquer outra conclusão minimamente próxima desta, a partir do texto da Constituição.

Para que fique claro que está a ser usada a táctica da mentira, da propaganda e da demagogia, deixo aqui a minha análise, tradução e destaques do texto da Constituição, com especial foco nos artigos que poderiam eventualmente gerar maior controvérsia. As conclusões deixo-as para quem as quiser tomar.

Caso considerem esta análise errada ou incompleta, será bem recebido qualquer contributo baseado no texto da Constituição, disponível aqui em Inglês.

Começemos então pelos pontos que incomodam as elites iluminadas:

1.       Do preâmbulo, as afirmações que entram em clara rota de colisão com a mentalidade anti-Cristã que luta há décadas por uma Europa onde reine o ateísmo e relativismo:

a.       Temos orgulho no facto do nosso rei Santo Estêvão ter construído o Estado Húngaro em bases sólidas, e ter feito, há mil anos, o nosso país parte da Europa Cristã.
b.      Reconhecemos o papel do Cristianismo na preservação da nacionalidade. Valorizamos as várias tradições religiosas do nosso país.
c.       Assumimos que a família e a nação constituem as principais bases da nossa coexistência, e que os nossos valores fundamentais de coesão são a fidelidade, a fé e o amor.
d.      Assumimos que, após décadas do século XX que conduziram a um estado de decadência moral, temos uma necessidade de renovação espiritual e intelectual.
e.       Do texto da Constituição, Artigo VII, ponto (2) – O Estado e as Igrejas estarão separados. As Igrejas serão autónomas. O Estado cooperará com as Igrejas para atingir metas comunitárias.

2.       Do texto da Constituição, a defesa da vida:

a.      Artigo L, ponto (1) – A Hungria protegerá a instituiçã do casamento como a união de um homem e uma mulher estabelecida por decisão voluntária, e a família como a base da sobrevivência da nação.
b.      Artigo L, ponto (2) – A Hungria promoverá o compromisso de gerar filhos.
c.       Artigo II – A dignidade humana será inviolável. Todo o ser humano terá o direito à vida e à dignidade humana; a vida embrionária e fetal será sujeita à protecção a partir do momento da concepção.
d.      Artigo III – Qualquer práctica com vista à eugenia, qualquer uso do corpo humano ou parte dele para ganho financeiro, e a clonagem humana serão proibidos.

3.       Seguem os destaques relativos à protecção da soberania nacional, outro preceito que tem vindo a ser atropelado de forma galopante, especialmente no seio da União Europeia:

a.      Do Preâmbulo – As nacionalidades que connosco habitam formam parte da comunidade política Húngara e são parte constituinte do Estado.
b.      Carregamos responsabilidades perante os nossos descendentes; portanto protegerêmos as condições de vida das gerações futuras ao usar de forma prudente os nossos recursos materiais, intelectuais e naturais.
c.       Honramos as conquistas da nossa constituiçã histórica e honramos a Corôa Real, que encorporiza a continuidade constitucional do estadismo Húngaro e da unidade da nação.
d.      Do texto da Constituição – Artigo A – O nome dO NOSSO PAÍS será Hungria. (Nota 1: alteração da anterior designação de República Húngara)
e.       Artigo E, ponto (4) – A autorização de reconhecer a natureza obrigatória de um qualquer acordo internacional referido no Parágrafo (2) [Nota 2: referente a acordos internacionais estabelecidos pela União Europeia] estará sueita à votação, e aprovação por maioria de dois-terços, dos Membros do Parlamento.
f.        Artigo K – A moeda oficial da Hungria será o florim.
g.      Artigo 19 – O Parlamento poderá requerer informação ao Governo em relação à posição a ser adoptada no processo de tomada de decisão das instituições da União Europeia operando com a participação do Governo, e poderá expressar a sua posição em relação ao projecto de agenda do procedimento. No processo de tomada de decisão da União Europeia, o Governo tomará em consideração a posição do Parlamento.

4.       Em relação à lei da imprensa e da protecção de dados pessoais:

a.      Artigo VI, ponto (3) – O exercício do direito à protecção de dados pessoais e o acesso a dados de interesse público serão supervisionados por uma autoridade independente.
b.      Artigo IX, ponto (1) – Todas as pessoas terão o direito de expressar a sua opinião.
c.       Artigo IX , ponto (2) – A Hungria reconhecerá e defenderá a liberdade e diversidade de imprensa, e assegurará as condições para a disseminação livre da informação necessária para a formação de opinião pública democrática.
d.      Artigo IX, ponto (3) – As regras detalhadas para a liberdade de imprensa e o orgão supervisionário dos serviços de media, produtos de media e mercado das info-comunicações serão regulados por  lei própria.

5.       Em relação à independência dos tribunais:

a.      Artigo 1, ponto (1) – Na Hungria, o organismo supremo de representação popular será o Parlamento. (2) O Parlamento irá: e) eleger o Presidente da República, os membros e o Presidente do Tribunal Constitucional, o Presidente da Cúria, o Supremo Provedor de Justiça, o Comissário para os Direitos Fundamentais e seus assistentes, e o Presidente do Departamento de Auditoria do Estado.
b.      Artigo 9, ponto (2), k) -  [O Presidente da República] irá nomear  os juízes profissionais e o Presidente do Conselho Orçamental
c.       Artigo 23, ponto (4) – Agindo segundo a sua competência, de acordo com a lei específica própria, os organismos regulatórios autónomos publicarão decrectos por autorização estatutária, os quais não poderão entrar em conflicto com qualquer Acto, decrecto governamental, decrecto do Primeiro-Ministro, decrecto ministerial ou qualquer ordem do Governador do Banco Nacional da Hungria.
d.      Artigo 24, ponto (4) – O Tribunal Constitucional será um organismo composto por quinze membros, cada um eleito por um período de doze anos por dois terços dos Membros do Parlamento. [...] Nenhum membro do Tribunal Constitucional poderá estar afiliado a qualquer partido político nem exercer qualquer actividade política.
e.       Artigo 26, ponto (1) – Os Juízes serão independentes e subordinados apenas a leis, não podendo ser instruídos em relação às suas actividades judiciais. [...] Nenhum juíz poderá estar afiliado a qualquer partido político nem exercer qualquer actividade política. Ponto (2) Os Juízes profissionais serão nomeados pelo Presidente da República. (3) O Presidente da Cúria será eleito de entre os seus membros por um período de nove anos pelo Parlamento, com base na recomendação do Presidente da República. A eleição do Presidente da Cúria requerirá uma maioria de dois terços dos votos dos Membros do Parlamento.
f.        Artigo 29. Ponto (4) – O Supremo Provedor de Justiça será eleito por um período de nove anos, com base na recomendação do Presidente da República. A eleição do Supremo Provedore de Justiça requerirá uma maioria de dois terços dos votos dos Membros do Parlamento. Ponto (6) – O Supremo Provedor de Justiça não poderá estar afiliado a qualquer partido político nem exercer qualquer actividade política.

6.       Em relação à independência do Banco Central e da Comissão Orçamental:

a.      Artigo 37, ponto (1) – O Governo será obrigado a implementar o Orçamento de Estado de forma legal, prática e transparente, com gestão eficiente dos fundos públicos. Ponto (4) [...] O Tribunal Constitucional terá o direito irrestricto de anular as leis [orçamentais] em caso de desrespeito dos fundamentos processuais da Lei Fundamental, na elaboração e publicação de tais leis.
b.      Artigo 41, ponto (2) – O Governador e Governador-Adjunto do Banco Nacional da Hungria serão nomeados por um período de seis anos pelo Presidente da República.
c.       Artigo 43, ponto (1) – O Departamento de Auditoria do Estado será a agência de auditoria financeira e económica do Parlamento. De acordo com as competências definidas pelos estatutos próprios, o Departamento de Auditoria do Estado fará a auditoria à implementação do Orçamento de Estado, a gestão das finanças públicas, a utilização de fundos das finanças públicas e a gestão dos recursos nacionais. O Departamento de Auditoria do Estado examinará os critérios de legalidade, practicalidade e eficiência.
d.      Artigo 43, ponto (2) – O Presidente do Departamento de Auditoria do Estado será eleito por um período de doze anos por uma maioria de dois terços dos votos dos Membros do Parlamento.
e.       Artigo 43, ponto (3) – O Presidente do Departamento de Auditoria do Estado apresentará ao Parlamento um relatório anual das suas actividades.

7.       Outras curiosidades, à atenção da elite iluminada:

a.       Do Preâmbulo – Respeitamos a liberdade e a cultura de outras nações, e empenhar-nos-emos em cooperar com todas as nações do mundo.
b.      Assumimos que temos o dever geral de ajudar os mais pobres e vulneráveis. [Nota: ainda se recordam da frase do jornalista? Nas ruas de Budapeste vai deixar de haver “pessoas sem abrigo”, que passam a estar sujeitas a penas de prisão.
c.       Não reconhecemos a suspensão da nossa constituição histórica devido a ocupações estrangeiras. Negamos quaisquer estatutos de limitação pelos crimes cometidos contra a nação Húngara e os seus cidadãos sob as ditaduras nacional-socialista e comunista.
d.  Não reconhecemos a constituição comunista de 1949, pelo facto dela ter sido a base para a governação tirânica; assim, proclamamo-la inválida

Did I ever tell you about Band of Horses?



It's looking like a limb torn off
 Or altogether just taken apart
 We're reeling through an endless fall
 We are the ever-living ghost of what once was

 But no one is ever gonna love you more than I do
 No one's gonna love you more than I do

3 de janeiro de 2012

Desmistificando a questão Síria (II)



Dizía então que há um importante grupo de mercadores Sunitas em Aleppo para o qual a aceitação do regime de al-Assad mais se deveu à resignação do que à vontade, num incómodo que nunca se dissipou e se sente recíproco entre as duas partes. É importante então juntar à equação um outro elemento, um fenómeno que nasceu com o regime e que a ele está intimamente ligado, ao ponto de ser recorrente confundir-se um com o outro. Falo dos awlad al-sultah, que em Português se traduzirá em qualquer coisa como os filhos da autoridade, e compreende em grande parte familiares e correligionários de al-Assad.

O fenómeno awlad al-sultah não é algo propriamente original; é comum, quase universal, surgir uma nova elite económica com estreitas ligações ao poder, aquando do estabelecimento de novos regimes. A forma pela qual esta nova elite foi ganhando poder, sobretudo nas décadas de 80 e 90, também não surpreende: tráfico de influências, apropriação ilegal de recursos públicos, desvio de fundos, etc. Fazendo ‘bom’ uso dos recursos ao seu dispôr, os awlad al-sultah foram ganhando poder ao longo dos anos, estabelecendo uma verdadeira oligarquia em ramos específicos da economia Síria.

A mais ou menos pacífica convivência entre os alwad al-sultah e os mercadores Sunitas deveu-se ao facto de terem sido definidos implicitamente os sectores do mercado que a cada parte ficariam reservados. Em termos gerais, pode dizer-se que a facção Sunita administra a industria de produção tradicional, enquanto que a nova elite ligada ao poder domina aquilo a que chamam a industria não-produtiva – telecomunicações, petróleo, media, restauração, ensino, etc. Uma certa harmonia foi assim estabelecida, em que cada grupo se limitava à sua esfera de mercado, evitando interferências fora dela.

Os primeiros e mais visíveis sinais exteriores de desconforto surgiram já na década de 2000, como resultado do cada vez maior crescimento dos alwad al-sultah, e a consequência natural de alguns deles terem tentado incursões por indústrias que não eram, por tácito acordo, as suas, nomeadamente uma famosa disputa pela representação da Mercedes-Benz. Sendo o ramo automóvel históricamente domínio da ala Sunita, a tentativa de apoderação desta representação, através de pressões internas, por Rami Makluf, um dos primos de Al-Assad,  foi tomada pelos Sunitas como uma traição. Este episódio constituiu um ponto de honra, e só através de muita persistência e alguns sacrifícios conseguiram os Sunitas manter a sua posição.

Este início de conflicto pelo poder económico motivou várias mudanças de estratégia por parte da classe Alauita dominante, entre as quais se inclui o novo programa de reformas, traçado em linhas gerais a partir do meio da década passada, e que se pretende ver materializado na nova Constituição que está actualmente a ser discutida. Uma Constituição moderna que, como nos disse recentemente S.A.R. o Senhor D. Duarte, segue o modelo geral da actual Constituição Marroquina.

(Imagem daqui)

(Continua)

Did I ever tell you about Ayub Ogada?


Hah
 Hahye hahye aye hahye

 Om maam na pum imjya
 Kothbiro
 Ke luru do ketaa-lha
 Om maam pum imjya
 Kothbiro
 Ke luru do ketaa-lha

 Hah
 Hahye hahye aye hahye

2 de janeiro de 2012

Did I ever tell you about Peter Gabriel?



Red rain is coming down
Red rain
Red rain is pouring down
Pouring down all over me

I am standing up at the water's edge in my dream
I cannot make a single sound as you scream
It can't be that cold, the ground is still warm to touch
This place is so quiet, sensing that storm

Desmistificando a questão Síria (I)



Cada vez mais me convenço de que a jogada política para a Síria que está a ser encenada pelos media internacionais é um erro, é perigosa e, felizmente, tem poucas possibilidades de sucesso. Para compreender o complexo regime liderado por al-Assad convém recordar algumas das alianças improváveis que têm sido estabelecidas e enraízadas desde há décadas à luz dos interesses económcos internos.

O estabelecimento do regime de Hafez al-Assad, pai do actual presidente (líder do partido Baath, da minoria Alauita), em muito se deveu à aliança que conseguiu “sacar a ferros” com a comunidade mercadora Sunita de Damasco, na década de 70. Acreditava-se, na altura, que sem o apoio desta facção, o regime ainda embrionário entraria em colapso, e a impressão generalizada era a de que a maioria Sunita iria de facto impedir a continuação do regime. Surpreendentemente não foi o caso. Nas negociações que tiveram lugar à porta fechada, havia um elemento importante que jogava a favor de al-Assad – o facto dos líderes Sunitas acreditarem que a cidade de Damasco estava cercada por militares favoráveis ao regime e que, após uma década de lutas nacionalistas, sangrentas e desgastantes, estavam genuinamente interessados na estabilidade do país, de forma a poderem também desenvolver a sua actividade económica.

É essencialmente na base desta aliança que o regime tem sobrevivido até aos dias de hoje, apoiado também na abertura política e económica que al-Assad pai e al-Assad filho têm garantido às diversas minorias do país, das quais a minoria Cristã – cerca de 10% da população – assume uma papel importante.

Da relativa estabilidade que dura desde a década de 70, há em particular uma facção que desde o início do regime causa algum incómodo ao poder central. Trata-se da comunidade mercadora Sunita de Aleppo, a segunda maior cidade do país, e que sempre se mostrou em desacordo, embora de forma discrecta, com a aliança dos Sunitas de Damasco com os Baath. É portanto fundamental entender este desconforto de Aleppo, que tem estado sempre presente, para assim se compreender algumas das movimentações políticas que têm tomado maior relevância, especialmente desde o início deste ano.

(Continua)

1 de janeiro de 2012

Did I ever tell you about The Walkmen?


Oh I'm still living
 At the old address
 And I'm waiting on the weather
 And I know you'll pass