29 de fevereiro de 2012

For the sake of the argument

Existe algum impedimento moral ou legal a que eu inclua no menu do meu restaurante crianças abortadas até às doze semanas?

27 de fevereiro de 2012

Quando a Mediocridade é a Norma

Há padrões que se tornam demasiado evidentes para passarem despercebidos. Ao ver que a notícia da Reuters a que fiz referência aqui foi difundida ipsis verbis por várias agências noticiosas (incluindo em Portugal, devidamente traduzida), fiquei com curiosidade em saber mais sobre a origem da notícia e o autor da mesma.

Sem espanto, descobri com facilidade que o autor da fictícia da notícia, Alistar Lyon, é um conhecido propagandista, com provas dadas repetidamente na desinformação e na manipulação dos leitores da Reuters e seu fiel rebanho.

Infelizmente é este o jornalismo que define a agenda, que formata opiniões, que gera ódios baseados em mentiras e deturpações. É o artigo manipulador deste jornalista que é repetido por todos os jornais do mundo, e que serve de justificação para a defesa, neste caso, de um grupo radical e perigoso que visa destabilizar o país em nome de uma democracia que não anseia nem pretende.

Assim se constrói a nossa sociedade maniquísta, monocromática e perfeitamente adequada àqueles que necessitam da idiota-utilidade geral para levarem adiante os seus propósitos obscuros, flutuando sobre a lama da imbecilidade geral e ignorância colectiva.

Como convém, decidiu-se que a abordagem a esta questão fosse, mais uma vez, definida pela cor política de cada comentarista. Ficou definido que uma certa esquerda fosse colocada ao lado do actual regime Sírio, e que o resto da opinião se juntásse ao coro da indignação contra o regime, colocando-se ao lado dos movimentos ditos pró-democracia. Quanta ingenuidade!

Quanta evidência será necessária para que se perceba que as visões puramente dualistas não servem para resolver os problemas geopolíticos actuais. Que tais posições se limitam a servir os propósitos das agendas subversivas dos interesses obscuros?

Quão paradoxal se apresenta a realidade quando, numa época em que a informação foi democratizada através do advento da internet e das redes sociais, os pólos de opinião, reductores e simplistas, se mantêm em relação às mais diversas questões. Desde a geopolítica, à religião, ao futebol, à história, tudo se resume à imbecilidade da opinião pré-formatada, insistente espelho que reflecte pouco, tão pouco mais do que a visão pré-definida que os jornais persistem em passar.

Vêmo-nos na iminência de uma guerra mundial. De Orwell a Hitler, nada aprendemos com os nossos pais.

Entretanto foi anunciado que será Kofi Annan a liderar a mediação para o fim da violência na Síria, em nome da ONU e da Liga Árabe. Uma decisão consensual por ser uma figura aparentemente simpática aos olhos de várias potências mundiais, nomeadamente as mais directamente envolvidas neste conflicto. A meu ver uma decisão errada, pelo menos pelos sucessivos fracassos estampados no currículo do ex-Secretário Geral das Nações Unidas. Contam-se, entre outros, a sua passividade perante o genocídio do Ruanda, o rebentar do escândalo do programa “Oil-for-Food” durante a sua “legislatura”, e as mediações no Iraque e no Sudão/Darfur que, apresentados como sucessos, foram na realidade situações onde a aparente victória nas negociações durou apenas poucos dias. São na minha opinião demasiadas provas de mediocridade para que inspire a confiança necessária para tão grande desafio que lhe é agora proposto.

26 de fevereiro de 2012

Conclusões lógicas de uma imprensa isenta

Tal como foi anunciado, o referendo para a nova constituição da Síria está a decorrer como previsto, apesar dos distúrbios que continuam em vários pontos do país.

Continuando a sua aventura pela contra-informação, a Reuters apresenta a informação sobre o referendo da seguinte forma:

Pelo menos 31 civis e soldados Sírios foram mortos no Domingo em lutas pelo futuro da Síria, no dia da votação para uma nova Constituição que poderá manter o presidente Bashar al-Assad no poder até 2028”.

Gostava de conseguir perceber como é que à Reuters é permitida a ousadia de sugerir que o objectivo deste referendo é a manutenção do presidente no poder por mais 16 anos, a partir de uma constituição que, a ser aprovada, prevê as primeiras eleições multi-partidárias em 90 dias.

A culpa será certamente minha, devo estar a transformar-me num comunista.

Christopher Hitchens não assina manifesto!

Notícia de última hora: Contactado pela equipa do Árvores Despidas, Christopher Hitchens declarou não estar disponível para assinar o Manifesto pela Dignidade da Mulher*. Face à insistência da nossa equipa, e perante o choque que causou o anuncio da sua indisponibilidade, aquele que é geralmente aceite como o deus de todos os ateus remeteu-nos para o seguinte vídeo, do qual transcrevemos o seguinte trecho:

Cristopher Hitchens – “[As mulheres] não têm de trabalhar. Podem trabalhar se quiserem, mas não têm de o fazer.”
Entrevistadora –Está a brincar, certo?”
Cristopher Hitchens –Não, não estou. Eu esperaria que elas tomássem conta delas [das crianças]. Trabalhar para quê, vocês não precisam.”
Entrevistadora –Diga-me que está a brincar...”


* Esta notícia é obviamente falsa já que, como sabem, Christopher Hitchens faleceu no passado dia 15 de Dezembro. Que Deus o receba na Sua infinita misericórdia.

24 de fevereiro de 2012

Nos Lider




Pa bu ka tchiga na nha bera nau
 dexa di fazi asneras
 bus truki tudu mi nca kanxes
 ma ki ti manda e nos lider

23 de fevereiro de 2012

Debate sobre o aborto



Um debate entre Peter Hitchens, a discutir o aborto da perspectiva cristã, e Adam Rutherford, a defender o aborto do ponto de vista ateu. A ver absolutamente, aqui fica a evidência dos mitos e fantasias dos abortistas que caem por terra desamparados quando confrontados com argumentos sérios.

Desde a propaganda da suposta diminuição do numero de abortos com a legalização, ao mito do "perigo de vida para a mulher", à educação sexual nas escolas, às DSTs, à sobreposição do direito da mulher sobre a vida humana não nascida, à questão do início da vida humana; toda - TODA - a besteira repetida vezes sem conta fica aqui desmascarada de forma brilhante.

(Recebido por e-mail via JPS)

Nulla in mundo pax sincera



Nulla in mundo pax sincera
 Sine felle; pura et vera
 Dulce Jesu, soia spe

Inter poenas et tormenta
 Vivit anima contenta
 Cast amoris, soia spe

22 de fevereiro de 2012

Manifesto pela Dignidade da Mulher

Entendemos que a mulher não deve poder ficar em casa nem deve poder trabalhar num horário reduzido de maneira a que não possa aplicar-se na educação dos filhos. Consideramos, ainda, que a mulher não é essencial na educação dos filhos.

Subscrevem*:

(lista em actualização permanente)

20 de fevereiro de 2012

Só para lembrar...

... que os erros de hoje pagam-se caro amanhã.


Da cruz se faz uma lança em chamas
Que sangra o céu no sol do meio dia
Do meio dos corpos a mesma lama
Leito final onde o amor nascia.

16 de fevereiro de 2012

O Numeros Negros do Aborto, 5 anos após o Referendo

Antes de mais convém relembrar os mecanismos pelos quais o Sim conseguiu obter a sua trágica victória no Referendo de 2007:



E agora os numeros:

- O numero de abortos aumentou 30% desde 2007.
- O numero de complicaçoes como resultado de abortos legais praticamente duplicou desde 2008 (verificando-se um caso de morte da mae, o primeiro desde 1994)
- O numero de nascimentos atingiu valores abaixo da metade dos ocorridos há 50 anos, numa espiral descendente e decadente para a sustentabilidade do país e a renovaçao das geraçoes.

Os dados podem ser consultados aqui, obtidos através da DGS, do INE e da Eurostat (via Joao Silveira).

As perspectivas?
Um Primeiro Ministro que dizem ser de direita e que votou a favor do aborto, coligado no governo com o "Democrata-Cristao" que nao é quente nem frio, batendo-se contra uma esquerda que, essa sim, dá mesmo vontade de vomitar, tal é o nojo que causam de cada vez que abrem a boca.

Pouco animadoras, portanto.

Did I ever tell you about Bush?



You in the dark
 You in the pain
 You on the run
 Living a hell
 Living your ghost
 Living your end
 Never seem to get in the place that I belong
 Don't wanna lose the time
 Lose the time to come

15 de fevereiro de 2012

Referendo para a nova Constituição na Síria

em várias ocasiões referi a importância que tem o factor Constituição no futuro da Síria. Conforme tinha sido anunciado, e findo o prazo de 4 meses establecido por decrecto pelo presidente (16 de Outubro de 2011) para a conclusão do documento, eis então anunciado que a aprovação da nova Constituição será feita por referendo, a realizar-se no dia 26 deste mês.

Apesar de não ter tido ainda acesso ao texto, as boas espectativas que guardava parecem confirmar-se. De acordo com os poucos dados revelados pela agência The Associated Press, que já reviu o documento, “o sistema político será baseado no pluralismo político, e o poder será praticado democraticamente através do voto”. Esta medida porá fim ao actual sistema onde a liderança está garantida ao partido Baath pela Constituição de 1973, ainda vigente. Os mandatos individuais estarão ainda limitados a dois termos de sete anos, e as primeiras eleições parlamentares terão lugar 90 dias após a aprovação da Constituição.

Ao mesmo tempo, a minha profunda desconfiança em relação aos movimentos de contestação também se mantem, especialmente face à sua pronta rejeição do anunciado referendo. Sendo que uma das suas exigências primordiais era a revisão constitucional, e dado que sempre se assumiram como um movimento democrático, esta rejeição é afinal bastante reveladora das verdadeiras intenções daqueles que se auto-denominam o Corpo de Coordenação Nacional para a Mudança Democrática na Síria, que parecem insistir unicamente na deposição do actual presidente como a solução para todos os problemas do país.

Tudo leva a crer que, na realidade, as forças de segurança do país vêm respondendo com brutalidade, à brutalidade com que elementos destabilizadores põem em causa o futuro do país e, em larga escala, da região. Assim, como resultado dos onze meses em que este conflicto foi mais intenso, o número de mortos ascende já aos muitos milhares e – é quase matemático – por cada morte será gerado mais ódio e de cada massacre nascerá um ressentimento impossível de apagar. Tudo isto perdurará inevitavelmente na alma do país, fruto de uma memória que hoje se constrói à custa de inúmeros erros que se não souberam evitar.

11 de fevereiro de 2012

A violência na Síria

Os sírios entusiasmaram-se com a chamada Primavera Árabe (que ainda vai dar muito que falar) e o Governo sírio procedeu a uma repressão desproporcionada que agravou a tensão numa população tradicionalmente pacífica. É também de supor que as primeiras manifestações anti-governamentais tenham sido instigadas do exterior, já que a chamada "comunidade internacional" insiste na queda do presidente Bachar Al-Assad, sabendo que a sua saída de cena representaria o fim do regime e que a sua substituição por um governo-fantoche permitiria o livre acesso, através do Iraque, a um ataque ao Irão, a única obsessão de alguns líderes ocidentais. Recordo o histerismo de que estava possuída a secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, quando a Rússia e a Síria vetaram, no Conselho de Segurança, a resolução que permitia a invasão da Síria por forças da NATO, como aconteceu na Líbia.

Texto original por Júlio de Magalhães, continuar a ler aqui.

Síria - Do veto da Rússia/China



Como se esperava, a Rússia e a China vetaram esta manhã a Resolução do Conselho de Segurança das Nações Unidas relativa à situação na Síria. Não disponho do texto da Resolução, mas tanto quanto sei através dos órgãos de informação, a dita, além de impor a saída incondicional do presidente Bachar Al-Assad, assumiria a defesa da oposição ao regime, quando é sabido que a maioria da população síria ainda apoia o Governo de Damasco. Tratar-se-ia de mais uma intervenção unilateral do "Ocidente" nos assuntos de um país soberano, como se verificou no Iraque, com o ignóbil pretexto da existência de armas de destruição maciça (que me recorde só os Estados Unidos lançaram até hoje duas bombas atómicas: Hiroxima e Nagasáqui), e mais recentemente na Líbia, onde a NATO, aproveitando a abstenção daqueles dois membros permanentes do Conselho de Segurança na resolução que  pretendia defender Benghazi das tropas de Qaddafi, acabou por invadir e bombardear o país e substituir o regime, facto de que, creio, se irão brevemente arrepender.

Ninguém ignora a interferência estrangeira na luta que a oposição trava na Síria, e que tem contribuído para um elevadíssimo número de mortos e feridos. Podemos inequivocamente afirmar que se instalou no país um verdadeiro clima de guerra civil.

Os acontecimentos desta madrugada em Homs, com mais de 200 mortos e centenas de feridos, testemunham bem a gravidade da situação, que atingiu patamares que jamais seriam alcançados se os protestos, como se verificaram inicialmente, não contassem com armamento estrangeiro e mesmo combatentes oriundos de outros países. É claro que quanto maior for o número de vítimas verdadeiramente sírias, maior será a sede de  vingança; é dos livros e da experiência da vida. Também é verdade que a queda do poder, agora, provocaria um sem número de retaliações, muitas delas gratuitas, como se verifica em todos os conflitos deste tipo.

Importaria uma mediação internacional, não como a que foi tentada pela Liga Árabe (manipulada por outros países) mas verdadeiramente independente. A Rússia havia proposto que Governo sírio e Oposição se sentassem à mesma mesa, o que foi imediatamente recusado pela Oposição, que segue os ditames da administração norte-americana e os projectos de Hillary Clinton e dos seus parceiros francês e inglês e de mais alguns tontos que, persuadidos ou ameaçados, alinham com Washington.

Todos sabemos que, destruído o Iraque, a Síria é o caminho mais fácil para atingir o Irão. Além de que, subjugados estes países, mais simples se torna contornar o sul da Rússia, já que a ocidente os antigos países de "Leste" integram hoje a União Europeia e a NATO.

Segundo informações provenientes do Líbano, o bombardeamento desta madrugada em Homs teria sido uma represália pelo facto das forças da Oposição terem atacado o exército do país, provocando a morte de 10 soldados.

O ministro russo dos Negócios Estrangeiros, Sergei Lavrov, vai deslocar-se terça-feira a Damasco com a missão de encontrar uma solução que permita, para já, suspender as hostilidades.

Aguardemos.


Texto original por Júlio de Magalhães, daqui.