29 de fevereiro de 2012

For the sake of the argument

Existe algum impedimento moral ou legal a que eu inclua no menu do meu restaurante crianças abortadas até às doze semanas?

2 comentários:

  1. Há desde já o impedimento prático de não possuíres um restaurante.

    For the sake of argument, haverá também o impedimento legal de não ser carne abatida de forma certificada pelas autoridades veterinárias competentes etc. etc. etc.

    But I see your point.

    ResponderEliminar
  2. Nenhum impedimento, portanto, a nível moral.

    Já agora, como esta discussao continuou no FB, deixo aqui os comentários que lá fiz:

    Num plano puramente teórico, se se considerar a actual lei do aborto legítima e moralmente aceitável, existe algum fundamento moral para que se condene esta hipótese?

    Parece-me que, aceitando o aborto, esta hipótese seria, em coerência, algo aceite como moralmente indiferente. O facto de alguém comer ou não comer caracóis, cobras ou galinhas não se prende com questões morais mas sim com a sensibilidade de cada um (tirando excepções como os vegans, por exemplo). Pelo que, não tendo alguém nada contra a inclusão de um aborto humano num menu de restaurante, essa pessoa poderia escolher não o comer por uma questão de sensibilidade. Esta indiferença moral é partilhada por quem defende o aborto? Se não, qual é o fundamento? Porque, parece-me óbvio, em termos de sensibilidades, o comentário “é chocante!” resume o sentimento geral. Onde eu quero chegar é simplesmente ao porquê de ser chocante a nível de sensibilidade, e indiferente do ponto de vista moral.

    A minha resposta era conhecida já à partida, nunca a escondi. A questão da designação é também uma questão de coerência. Toda a rectórica à volta da questão do início da vida humana como justificação do aborto não passa disso mesmo: rectórica. O único ponto científicamente consensual para se determinar o início da vida é a concepção, tudo o resto não passa de opiniões, com maior ou menor fundamento. Há quem tenha criatividade suficiente para dizer que antes das ‘x’ semanas é vida, mas não é vida humana (se consideram que seja vida equídea, cetácea, lagomorfa, isso não sei). Outros ainda dizem que sim, é vida humana, mas não é pessoa. Rectórica interessante, para quem tem pouco mais com que se entreter, mas a mim não me convence nem atrai. Eu optei por usar o termo criança porque supõe-se que, para esta questão em particular, seria necessário que tivésse passado algum tempo desde a concepção para que este cenário se pudésse tornar plausível. Não negociaría, no entanto, nenhuma designação que fosse menos (ou menos implicásse) que vida humana.

    ResponderEliminar