27 de fevereiro de 2012

Quando a Mediocridade é a Norma

Há padrões que se tornam demasiado evidentes para passarem despercebidos. Ao ver que a notícia da Reuters a que fiz referência aqui foi difundida ipsis verbis por várias agências noticiosas (incluindo em Portugal, devidamente traduzida), fiquei com curiosidade em saber mais sobre a origem da notícia e o autor da mesma.

Sem espanto, descobri com facilidade que o autor da fictícia da notícia, Alistar Lyon, é um conhecido propagandista, com provas dadas repetidamente na desinformação e na manipulação dos leitores da Reuters e seu fiel rebanho.

Infelizmente é este o jornalismo que define a agenda, que formata opiniões, que gera ódios baseados em mentiras e deturpações. É o artigo manipulador deste jornalista que é repetido por todos os jornais do mundo, e que serve de justificação para a defesa, neste caso, de um grupo radical e perigoso que visa destabilizar o país em nome de uma democracia que não anseia nem pretende.

Assim se constrói a nossa sociedade maniquísta, monocromática e perfeitamente adequada àqueles que necessitam da idiota-utilidade geral para levarem adiante os seus propósitos obscuros, flutuando sobre a lama da imbecilidade geral e ignorância colectiva.

Como convém, decidiu-se que a abordagem a esta questão fosse, mais uma vez, definida pela cor política de cada comentarista. Ficou definido que uma certa esquerda fosse colocada ao lado do actual regime Sírio, e que o resto da opinião se juntásse ao coro da indignação contra o regime, colocando-se ao lado dos movimentos ditos pró-democracia. Quanta ingenuidade!

Quanta evidência será necessária para que se perceba que as visões puramente dualistas não servem para resolver os problemas geopolíticos actuais. Que tais posições se limitam a servir os propósitos das agendas subversivas dos interesses obscuros?

Quão paradoxal se apresenta a realidade quando, numa época em que a informação foi democratizada através do advento da internet e das redes sociais, os pólos de opinião, reductores e simplistas, se mantêm em relação às mais diversas questões. Desde a geopolítica, à religião, ao futebol, à história, tudo se resume à imbecilidade da opinião pré-formatada, insistente espelho que reflecte pouco, tão pouco mais do que a visão pré-definida que os jornais persistem em passar.

Vêmo-nos na iminência de uma guerra mundial. De Orwell a Hitler, nada aprendemos com os nossos pais.

Entretanto foi anunciado que será Kofi Annan a liderar a mediação para o fim da violência na Síria, em nome da ONU e da Liga Árabe. Uma decisão consensual por ser uma figura aparentemente simpática aos olhos de várias potências mundiais, nomeadamente as mais directamente envolvidas neste conflicto. A meu ver uma decisão errada, pelo menos pelos sucessivos fracassos estampados no currículo do ex-Secretário Geral das Nações Unidas. Contam-se, entre outros, a sua passividade perante o genocídio do Ruanda, o rebentar do escândalo do programa “Oil-for-Food” durante a sua “legislatura”, e as mediações no Iraque e no Sudão/Darfur que, apresentados como sucessos, foram na realidade situações onde a aparente victória nas negociações durou apenas poucos dias. São na minha opinião demasiadas provas de mediocridade para que inspire a confiança necessária para tão grande desafio que lhe é agora proposto.

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