11 de fevereiro de 2012

Síria - Do veto da Rússia/China



Como se esperava, a Rússia e a China vetaram esta manhã a Resolução do Conselho de Segurança das Nações Unidas relativa à situação na Síria. Não disponho do texto da Resolução, mas tanto quanto sei através dos órgãos de informação, a dita, além de impor a saída incondicional do presidente Bachar Al-Assad, assumiria a defesa da oposição ao regime, quando é sabido que a maioria da população síria ainda apoia o Governo de Damasco. Tratar-se-ia de mais uma intervenção unilateral do "Ocidente" nos assuntos de um país soberano, como se verificou no Iraque, com o ignóbil pretexto da existência de armas de destruição maciça (que me recorde só os Estados Unidos lançaram até hoje duas bombas atómicas: Hiroxima e Nagasáqui), e mais recentemente na Líbia, onde a NATO, aproveitando a abstenção daqueles dois membros permanentes do Conselho de Segurança na resolução que  pretendia defender Benghazi das tropas de Qaddafi, acabou por invadir e bombardear o país e substituir o regime, facto de que, creio, se irão brevemente arrepender.

Ninguém ignora a interferência estrangeira na luta que a oposição trava na Síria, e que tem contribuído para um elevadíssimo número de mortos e feridos. Podemos inequivocamente afirmar que se instalou no país um verdadeiro clima de guerra civil.

Os acontecimentos desta madrugada em Homs, com mais de 200 mortos e centenas de feridos, testemunham bem a gravidade da situação, que atingiu patamares que jamais seriam alcançados se os protestos, como se verificaram inicialmente, não contassem com armamento estrangeiro e mesmo combatentes oriundos de outros países. É claro que quanto maior for o número de vítimas verdadeiramente sírias, maior será a sede de  vingança; é dos livros e da experiência da vida. Também é verdade que a queda do poder, agora, provocaria um sem número de retaliações, muitas delas gratuitas, como se verifica em todos os conflitos deste tipo.

Importaria uma mediação internacional, não como a que foi tentada pela Liga Árabe (manipulada por outros países) mas verdadeiramente independente. A Rússia havia proposto que Governo sírio e Oposição se sentassem à mesma mesa, o que foi imediatamente recusado pela Oposição, que segue os ditames da administração norte-americana e os projectos de Hillary Clinton e dos seus parceiros francês e inglês e de mais alguns tontos que, persuadidos ou ameaçados, alinham com Washington.

Todos sabemos que, destruído o Iraque, a Síria é o caminho mais fácil para atingir o Irão. Além de que, subjugados estes países, mais simples se torna contornar o sul da Rússia, já que a ocidente os antigos países de "Leste" integram hoje a União Europeia e a NATO.

Segundo informações provenientes do Líbano, o bombardeamento desta madrugada em Homs teria sido uma represália pelo facto das forças da Oposição terem atacado o exército do país, provocando a morte de 10 soldados.

O ministro russo dos Negócios Estrangeiros, Sergei Lavrov, vai deslocar-se terça-feira a Damasco com a missão de encontrar uma solução que permita, para já, suspender as hostilidades.

Aguardemos.


Texto original por Júlio de Magalhães, daqui.

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