11 de março de 2012

Da Fé e dos Repolhos


No princípio da semana estive no Sul do Líbano a colher laranjas com um batalhão de famílias Shiitas. No fim do dia sentámo-nos à volta de uma fogareiro a beber café e a descascar engenhosamente clementinas com as crianças.

No dia seguinte segui para o Norte do país, para a quinta de um amigo Sunita. Fizémos a vistoria às novas plantações de batata e experiências com as sementes de alface que importámos da Austrália. Depois passámos o resto da tarde a fumar cigarros e a beber chá de gengibre, à sombra de uma oliveira, enquanto ele contava histórias improváveis, de outros tempos que não conheci.

Segui para as montanhas, território Maronita. O frio excepcional que fez este Inverno levou a que se perdesse quase metade da colheita de tomate, mas as videiras estão bem e recomendam-se. Quiseram ouvir música da minha terra: dei-lhes Amália e eles responderam com Fairuz. Mas no fim foi o Favas com Chouriço do José Cid, com direito a tradução simultânea, que mais entusiasmou a audiência.

Das lutas pelo poder, dos conflictos religiosos, das guerras com os vizinhos, por ali não reza a história. Das notícias só o tempo interessa. Ignoram o câmbio do dólar, mas sabem ao milímetro a quantidade de chuva que falta ainda caír. Várias gerações vivem aparentemente felizes numa mesma casa, e até as duas mulheres do meu amigo Sunita partilham pacíficamente o mesmo tecto.



Era só mesmo para dizer que o que eu gosto mesmo é do campo.

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