7 de junho de 2013

Quasyr

Começam a quebrar as linhas de apoio à actividade terrorista perpetrada pelo “Exército Livre da Síria”. Depois da vitória decisiva em Quasyr, o mais evidente sinal de triunfo do regime de Assad é o facto de terem falhado as negociações para as conferências de Geneva para a paz na Síria. Não terá caído bem aos apoiantes dos terroristas a recusa destes em participar com representantes nas negociações inicialmente agendadas para este mês de Junho. Adiadas as negociações para Julho, resta saber se em 30 dias sobrarão “rebeldes” Sírios para se sentarem à mesa e discutir a paz, ou se a paz terá sido já, por essa altura, imposta pela força de Assad. Força das armas, evidentemente, mas sustentada pelo cada vez mais evidente apoio da generalidade da população Síria ao seu Presidente.

A data não se conhece ainda, mas a vitória, essa, é já uma certeza.

Começará em breve a reconstrução do país, devastado por mais de dois anos de batalhas intensas. Já se sabe quem irá participar dessa reconstrução e a quem serão fechadas portas. A Rússia foi durante todo este processo o aliado fundamental da Síria e dos Sírios, sem a qual o país teria sido indubitavelmente perdido para os fundamentalistas islâmicos, suportados por grupelhos terroristas, pelas monarquias árabes, pela ONU e pela aliança atlântica.

Era perfeitamente evitável a perda de tão grande número de vidas; é catastrófica a perda de património cultural de valor inquantificável; no entanto está o sangue derramado e tombadas estão as paredes milenares. É hora de reerguer-se a Síria dos escombros.

O regime não caiu, mas estou convicto de que Assad sairá da liderança do regime em pouco tempo. Mas sairá pelo próprio pé. Sairá de forma controlada, sem pressões terroristas, com espaço para realizar uma transição sustentada para o que se espera vir a ser um regime menos autoritário. Era esta a sua vontade e a sua intenção até ter sido nestes propósitos interrompido por uma vergonhosa intervenção estrangeira. Que se não se esqueçam nunca os Sírios de quem apoiou esta intervenção.

A ONU já está preparada para entrar em força no terreno, mais as suas inconsequentes “Missões de Paz”. Pouco me surpreenderia que lhe fosse recusada a entrada e fosse no seu todo escorraçada de território nacional como persona non grata.

Os Americanos perderam a oportunidade de conquistar um livre-trânsito para o Irão e vêem a sua posição cada vez mais fragilizada no Médio Oriente. Por outro lado, com a vitória do regime de Assad, o Hezbollah recupera alguma da relevância que detinha não só no Líbano mas em toda a região, depois de atravessar um dos períodos de maior enfraquecimento político desde a sua fundação.

A União Europeia, por sua vez, surge mais uma vez como uma instituição tão ridícula como inconsequente, sem poder nem vontade colectiva, decretando e decidindo pela voz de uma ínfima, pérfida e pouco ou nada representativa minoria, em nome de uma Europa imaginada pelos próprios.

A Rússia surge assim como a grande vencedora nesta guerra, e terá oportunidade de reforçar as suas ambições políticas globais, que passam incontornavelmente por uma deslocação da posição primordial de superpotência dos países Atlânticos para a Eurásia. A magnitude deste movimento tem sido grandemente ignorada ou subestimada, mas não têm sido por isso evitados esforços no sentido de conjugar vários elementos na direcção de fazer ressurgir a Rússia como o principal pólo de decisões a nível mundial. Uma nova e perigosa filosofia está a emergir aglomerando a cultura, a política, a religião e o patriotismo, promovendo um discurso sustentado no orgulho nacional, alimentando na população a sempiterna ilusão da superioridade russa em relação ao resto dos povos do mundo.

São tempos perigosos aqueles em que vivemos, que não sobrem desse facto dúvidas. É urgente que Portugal desperte desta fantasia na qual se vem instalando desconfortavelmente desde há décadas e evite afundar-se com o resto da Europa. Na tentativa de se reinventar numa distopia satânica, o único objectivo que a Europa vai conseguir atingir é a auto-destruição. Que se não deixe Portugal levar por estes caminhos tenebrosos.

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