22 de junho de 2013

Rebeldes ou Terroristas?

Em conversa com um amigo, discutindo a guerra na Síria, este parecia incomodado com o facto de eu tratar como terroristas aqueles que ele tratava como rebeldes. Gostaria então de apresentar os meus argumentos para tal tratamento:

- 17 Junho 2013: Explosão em Aleppo mata 60
- 14 Junho 2013: Dois homens-bomba matam 14
- 27 Maio 2013: Jornalista assassinada
- 30 Março 2013: Xeque mutilado e decapitado
- 26 Outubro 2012: Carro-bomba em Damasco mata 47
- 25 Outubro 2012: Padre raptado e executado

Agora pergunto eu: que outro nome senão terrorismo se poderá dar ao sistemático recurso a carros armadilhados em bairros residenciais, igrejas e mesquitas? À prática de mutilações, decapitações e rituais de canibalismo? Aos frequentíssimos sequestros e execuções de civis?

E o que dizer do facto da minoria cristã, cada vez mais pequena, ser alvo preferencial de ataques terroristas? Que dizer da quase total ausência de notícias sobre os constantes sequestros, assassinatos e violações dos cristãos Sírios?

Esta gente não está a lutar pela democracia e estes mortos não são mártires em nome da liberdade. São grupos radicais que não têm qualquer pudor em recorrer aos meios mais baixos e sangrentos de terrorismo com a intenção de impôr um regime obscuro que, a triunfar, conduziria o país para um era de terror e de trevas, e contribuiria para aumentar a destabilização de toda a região, incluindo o Líbano, o Irão e o Iraque. Só a posição de Israel sairia aparentemente reforçada com o derrube do regime, pelo que se poderá começar a entender a obsessão dos Estados Unidos com o derrube de Assad.

Quando os ataques são como os descritos acima, é imprescindível que a resposta das forças de segurança seja forte e decidida. Foi assim que respondeu o regime e não poderia ter sido de outra forma. Quando estes baixíssimos ataques são incentivados por apoios financeiros e logísticos vindos das potências externas e legitimados moralmente pela quase totalidade da comunidade internacional, é evidente que eles não irão parar, tal como não cessará por outro lado a resposta do regime. O resultado é aquele a que vamos assistindo há mais de dois anos, ou seja, a morte e a destruição de um país.

Não é novidade para ninguém que os governos sigam interesses particulares de forma a satisfazer a vontade de pequenas elites, e não só as massas, mas também a maioria da gente informada vai na sua conversa. Esta seria uma observação aterradora se a tal não estivéssemos já habituados e se para esses planos não tivésemos nós um Plano alternativo, mas é indicativa das infinitas possibilidades depositadas nas mãos destas autênticas máquinas de propaganda, capazes de conduzir nações inteiras, por capricho, para onde bem entenderem.
Nem que seja para o abismo.

1 comentário:

  1. Felipe, não tenho dúvidas das barbaridades cometidas na Siria pelos chamados rebeldes. Há muita informação de extremistas ligados à Al Qaeda que atravessam a fronteira para se juntarem às tais forças de oposição. Não sigo o caso faz algum tempo, mas creio que não é possível generalizar os rebeldes. Julgo que os Estados Unidos estão conscientes do perigo de apoiarem essas forças, e é neste ponto que não concordo contigo. Tanto quanto soube o grande apoio financeiro destas forças tem vindo da Arabia Saudita, e isto devido à questão sunita-xiita. Eu julgo que os Israelitas só tem a perder com a queda do regime sírio pela instabilidade que vai gerar na região, particularmente na questão dos montes Golã. Território anexado ilegalmente por Israel, e crucial para a distribuição de água pelo país. És um homem do terreno e vês em primeira mão as consequências da real politik, mas quando falas em o terrorismo não estar ligado a valores de liberdade é uma generalização perigosa. E dando o exemplo dos cristão, que sim são massacrados regularmente em África e de forma silenciosa, podíamos falar do IRA. Não faz muito tempo que um `grupo` de católicos também utilizou meios baixos e sangrentos, por exemplo em 1998 o Real IRA matou 38 civis num atentado. Estas forças extremistas não têm princípios democráticos! Os vários braços do IRA e os vários grupos de rebeldes dificilmente podem ser considerados democráticos, mas não invalida que possam ter pretensões legitimas. Infelizmente por trás de actos de extremismo parece haver sempre um ´eleitorado´;há uma polarização sempre, que parece ser tão própria dos conflictos. No meio dessa polarização que desumaniza, tens toda a razão, parece que se caminha para o abismo...

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