9 de julho de 2013

Sudão do Sul - 2 Anos de Independência

Fotografia: Martine Perret 
Fotografia: Martine Perret

No dia em que completa 2 anos de independência, a mais jovem nação do mundo enfrenta ainda desafios complicados, cuja resolução não passa ainda de uma miragem.

Em termos de segurança, note-se que pelo menos sete milícias rebeldes continuam activas em guerra contra o governo de Juba, sendo que algumas regiões do país encontram-se efectivamente nas mãos das milícias, principalmente no Estado de Jonglei.

Por outro lado, a questão das fronteiras continua por resolver, sendo os exemplos mais preocupantes a disputa fronteiriça com o Quénia pelo Triângulo de Ilemi e a disputa com o Sudão pela região de Abyei, onde se tem verificado recentemente uma escalada de violência nas últimas.

Fotografia: Martine Perret 
Fotografia: Martine Perret

 As estatísticas sociais são igualmente preocupantes, apresentando o Sudão do Sul os níveis de escolaridade e mortalidade infantil mais negativos do todo o globo. Longe de estar resolvida, a questão dos refugiados e deslocados internos assume também contornos dramáticos, calculando-se existirem mais de um milhão de pessoas em campos de refugiados, muitas vezes sem o mínimo de condições de hygiene e segurança.

As Missões das Nações Unidas no Sudão do Sul (UNMISS) e para a região de Abyei (UNISFA), sem poder considerar-se que constituam um fracasso total, apresentam ainda muitas debilidades, particularmente no que diz respeito à efectiva manutenção da paz e da própria segurança da Missão, que se mostra repetidamente incapaz de fazer frente não só às milícias, mas também aos próprios governos do Sudão e do Sudão do Sul.

Fotografia: Isaac Billy
 Fotografia: Isaac Billy

  São já vários os incidentes que envolveram ataques directos a soldados e civis de ambas as Missões, e o número de mortos que contam nos últimos dois anos é motivo de indisfarçável embaraço. Urge intensificar os meios e rever as estratégias utilizadas para o cumprimento do seu mandato, e nesse sentido têm sido sugeridas medidas quase inéditas na tradição das Missões da ONU em África, como por exemplo o recurso a drones, reivindicação que ganhou força no seguimento do abatimento de um helicóptero civil em Abril deste ano.

Mas nem tudo é tristeza e desolação, como me dizem os meus amigos missionários: o país ainda agora nasceu, e como tal é natural que comece por dar passos de bebé. Há que procurar e alimentar os sinais positivos que vão surgindo e é fundamental manter a esperança e acreditar num futuro melhor, principalmente aqueles que trabalham no terreno e assumem a responsabilidade de contribuir para melhorar o país.

E por falar nisso, o que dizer do pôr-do-Sol sobre o Nilo em Malakal?


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