30 de agosto de 2013

Syria Interrupted

Algumas pessoas me têm questionado acerca do meu silêncio em relação aos desenvolvimentos na Síria das últimas semanas. Na verdade tenho resistido à tentação de escrever sobre o assunto principalmente por duas razões: se por um lado o trabalho me tem roubado quase todo o tempo disponível, por outro, pouco ou nada há a dizer para além do que tenho vindo a repetir desde há mais de dois anos.

É curioso verificar que cada vez mais comentadores, sejam da ‘esquerda’ ou da ‘direita’, começam a perceber o absurdo que constitui esta criminosa intervenção estrangeira em território Sírio, bem como a incrível injustiça de que tem sido alvo o governo legítimo de Bashar al Assad.

Desde o meu primeiro (de muitos) artigos sobre a Síria que tenho sido acusado de ‘compactuar com um regime atroz’, de ser um ‘ingénuo colaborador de Assad’, de ‘repetir ad nauseam a propaganda do governo’, para além de ter sido alvo de um rol de criativos insultos menos dignos de serem aqui repetidos. Estava assim, desde 2011, quase isolado a defender a minha posição, e ao contrário de tantos outros ilustres comentadores, não tive por isso de ver-me obrigado a alterá-la a 180º. Registo agora que os argumentos que utilizei vezes sem conta nos últimos anos são agora repetidos precisamente por aqueles que antes os tentavam ridicularizar.

Resta-me a desolação de verificar que os meus piores receios têm vindo a confirmar-se de forma dramática à medida que progride o conflicto na Síria, e que as perspectivas da concretização de uma guerra global, desde há muito adivinhada, assume um grau de probabilidade cada vez maior.

Neste momento em que os dados estão lançados e em que já quase todos possuem renovadas certezas absolutas, deixo para os restantes opinadores o seguimento da discussão. Até porque hoje me apetece escrever sobre o Dar Fur.

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