24 de janeiro de 2014

Cessar-fogo no Sudão do Sul

«Na noite de 15 de Dezembro começara o conflicto. Os primeiros relatórios indicam uma revolta interna dentro do exército, tiroteio pesado num dos principais campos militares de Juba, e uma suposta tentativa dos militares revoltosos se apoderarem de um dos principais depósitos de armamento do Sudão do Sul. A situação na capital, ainda confusa nas primeiras horas, rapidamente evolui e alastra-se por toda a cidade, as linhas telefónicas são cortadas e durante quase três dias o tiroteio segue pesado e ininterrupto, e apenas militares se movem nas estradas, enquanto que grande parte da população, desesperada, procura proteger-se do caos que se instala em Juba.

(…)

Juba torna-se rapidamente irreconhecível: lojas, restaurantes e hotéis estão fechados, o movimento é quase inexistente, e o ruído dos disparos torna-se parte do dia-a-dia, apenas interrompido pelo cantar dos pássaros. É uma experiência curiosa, quase hipnotizante - já o constatara em Kinshasa, em Kampala, em Bujumbura, em tempos de guerra - escutar os disparos de uma Kalashnikov, de uma Heckler&Koch, de uma Lee-Enfield, ao som da melodia de um estorninho, de um pardal, de um francolim.»

Poucas horas passadas sobre o acordo de cessar-fogo no Sudão do Sul, deixo-vos a ligação para um artigo publicado esta manhã no blogue Maghreb / Machrek do Expresso, com um agradecimento ao Raúl M. Braga Pires pela publicação.

18 de janeiro de 2014

Abuso sexual de menores

1. Os casos de violações e abuso sexual de menores tornam-se tanto mais graves quanto o nível de confiança depositado nas instituições que, tendo sido criadas com o propósito de proteger os mais vulneráveis, são responsáveis directa ou indirectamente pelos abusos em causa.

2. É imperativo que os suspeitos de violações e abuso sexual de menores sejam julgados e, se considerados culpados, condenados a penas de prisão severas e exemplares.

3. As instituições em causa têm o dever de prestar às autoridades competentes todas as informações disponíveis em relação a suspeitos de abusos a menores, e deverão fazê-lo de forma imediata e sem reservas.

4. Qualquer pessoa ou organização responsável por encobrir ou ocultar informações relativas ao abuso de menores deverá ser punida de forma severa e exemplar, seja pela sua responsabilidade individual ou colectiva em relação ao encobrimento ou ocultação dos factos, seja pela protecção dada à pessoa ou pessoas responsáveis pelos crimes em causa.

5. Numa situação em que se verifiquem abusos a menores de forma repetida e sistemática por parte de membros de uma instituição de carácter global, com actividade em praticamente todos os países do mundo, e com uma responsabilidade moral elevada, torna-se adequado que esta instituição preste esclarecimentos públicos e sem reservas perante uma comissão independente em relação a factos ocorridos e à sua actuação perante tais factos, sendo essencial que sejam esclarecidos o número de pessoas condenadas por abuso sexual e suas punições, bem como o número de vítimas de abusos e respectiva compensação material e imaterial.

6. A bem da humanidade e em defesa das crianças de todo o mundo, particularmente as mais vulneráveis, exijo que a organização das nações unidas preste contas a respeito dos abusos a menores cometidos pelos seus membros.

11 de janeiro de 2014

Inconseguimentos



Esta frase merece ser lida, decorada e repetida em voz alta por todos os Portugueses. É um verdadeiro tratado da Língua Portuguesa! É mais do que um poema, é uma obra de arte!

Lembro-me de na faculdade ter lido de Pierre Bourdieu o livro Ce que parler veut dire, onde se faz a dicotomia langue/parole. Só agora consegui entender o fenómeno de, conhecendo uma língua, encontrar-me francamente néscio em relação ao discurso.

Desenganem-se, portanto, aqueles que julgavam ter sido mero acaso a ascensão de Assunção à presidência da Assembleia da República. A segunda figura do Estado Português é afinal um oásis de intelectualidade, e os discursos com que nos brinda de uma profundidade inatingível para o comum dos Portugueses.

Obrigado Presidenta!

(E obrigado ao AFR por ter descoberto e partilhado esta pérola)

Mais, e mais, e mais.

10 de janeiro de 2014

Raridades


Daqui a alguns séculos, talvez décadas apenas, aqueles livros escritos ao abrigo do (des)Acordo Ortográfico tornar-se-ão seguramente objectos de coleccionador. Algo do género dos Calendários da Revolução, do tempo das obscuras experiências Francesas. Serão objectos raros, é certo, mas serão igualmente motivo de escárnio.

Será que entrarão para a história os nomes daqueles que, seja por decreto ou por desamor, decidiram prostituir a nossa língua, a nossa cultura, ou ficará toda uma geração maculada pelas abstrusas experiências praticadas por meia dúzia de vendilhões?