6 de março de 2014

Save The Children - Não se deixem enganar

Este vídeo divulgado pela Save The Children irá tornar-se viral dentro de 3… 2… 1…


Mas antes que o comecem a partilhar, poderão estar interessados em saber que:
- Uma das principais preocupações desta ONG é o planeamento familiar e o controlo populacional.
- Actua em parceria com instituições como a Planned Parenthood para a promoção do aborto em todo o mundo.
- …e com as grandes farmacêuticas, nomeadamente a GlaxoSmithKline, um dos grandes grupos que está obcecado com a propagação de programas de vacinas altamente suspeitos.
- Abundam as controvérsias à volta da Save The Children (como se pode verificar através de uma simples pesquisa online), e estas incluem salários milionários para os seus dirigentes, activismo político ilegal, silenciamento das vozes discordantes, manipulação de estudos científicos e da opinião pública através da divulgação de vídeos emotivos e propagandísticos, et caetera
- Qualquer semelhança com a campanha KONY2012 não é mera coincidência.

Dentro de 3… 2… 1…

1 de março de 2014

Memórias de um burro II



O projecto de esperança em que consistiu a independência do Sudão do Sul, depois da secessão do Sudão em 2011, tornou-se um falhanço completo passado pouco mais de dois anos.

Algumas cidades estão completamente destruídas e desertificadas, as casas saqueadas e incendiadas. Assim está por exemplo Malakal, cidade tomada pelos rebeldes, e onde me encontro neste momento. Ao atravessar os escombros daquilo que era até há pouco mais de dois meses uma das maiores cidades do país, deparo-me com centenas, talvez milhares de soldados das forças rebeldes a reforçar as suas linhas, preparando-se para resistir a uma ofensiva do exército leal ao governo que decerto irá chegar nos próximos dias.

Na estrada que liga o que resta do aeroporto à base onde está montado o nosso campo, podem ver-se dezenas de cadáveres em decomposição, rodeados por cães e abutres que os devoram.

Há dias, aquando da ofensiva rebelde que em apenas duas horas levou à tomada da cidade, milhares de refugiados forçam a saída de um lado da base da ONU em Malakal, enquanto que ao mesmo tempo, do outro lado do campo, outros milhares forçam em pânico a entrada. São os que saem os homens e as mulheres da facção dos rebeldes; os que entram encontram-se do lado do regime. Há uma divisão étnica bem vincada, mas são também milhares as crianças de um lado e de outro.

É impressionante a imagem da debandada de uma multidão em pânico, em simultâneo para fora e para dentro do campo, e ilustrativa do cenário de caos e confusão que tomou conta do país.


Até há cerca de um mês, as igrejas constituíam um dos poucos locais de segurança onde a população poderia refugiar-se, muito por culpa do respeito que o povo Sul-Sudanês reservava à Igreja pelo seu importante papel de apoio e conciliação durante os anos de guerra e transição. Há dias, dezenas de religiosas que buscavam refúgio numa igreja foram violentamente estupradas e de seguida assassinadas à queima-roupa, algumas das quais idosas com mais de 70 anos de idade. Repetem-se os casos de saque e destruição de igrejas em vários pontos do país, tendo até os mais resistentes dos religiosos sido forçados a fugir para salvar a vida.

A violência chegou até aos próprios campos de refugiados, improvisados nas bases da ONU, onde são frequentes, senão diários, os casos de agressões e mortes. Contam-se já mais de um milhão de deslocados ou refugiados, e mais de sete milhões em situação de risco grave ou emergência, sem condições de segurança e higiene ou acesso a comida e medicamentos.

As negociações para a paz não avançam; encontram-se aliás quase em ruptura no seguimento do falhanço na implementação do acordo de cessar-fogo. A esperança vai-se extinguindo rapidamente e o ódio e desejo de vingança estão cada vez mais presentes no discurso de todos, independentemente da origem étnica. O conflito, ao que tudo indica, está para durar.