18 de junho de 2014

A propósito da proclamação do Rei de Espanha


"Felipe rejeitou a posterior celebração de uma missa para respeitar a natureza secular do Estado. Pela mesma razão a Coroa de prata de 1775 e o ceptro expostos sobre uma almofada em frente ao novo Rei não estarão acompanhados de um Crucifixo. Felipe quis também evitar a pompa ou qualquer sinal de ostentação

Um Rei, ao que parece, miserabilista cheio de complexos e que não tem a noção do que representa a instituição que vai encabeçar amanhã. Isto ficou aliás evidente a partir do momento em que foi anunciado o casamento.

Hoje, rejeitando a celebração de uma missa, dá mais um passo no sentido de destruir a monarquia, cedendo às pressões progressistas de uma sociedade que mais do que nunca precisa de alguém que a inspire, a lidere, e lhe sirva de referência. Escolheu abraçar os valores liberais, sacrificando para isso a honra e a integridade. Escolheu o efémero dos valores biodegradáveis para satisfazer os inimigos da monarquia e, fazendo-o, traiu a Espanha e traiu a Deus.

Já o disse, é-me evidente que a monarquia é sempre melhor do que a república, mas cada vez encontro mais razões para alertar para as diferenças essenciais entre a monarquia tradicionalista e a monarquia liberal – e para me distanciar tanto mais deste modelo quanto ele se vai distanciando da representação e do serviço à nação.

17 de junho de 2014

Imbecis, imbecis por toda a parte


Descobre-se que a Greenpeace acaba de perder 3,8 milhões de euros devido a investimentos especulativos em mercados cambiais.

Esta emite rapidamente um comunicado pedindo desculpa aos doadores, explicando que se tratou de um erro de um funcionário que actuara para além dos limites da sua autoridade, o qual foi entretanto dispensado.

Que não se preocupem os demais, que irão ser recuperadas as perdas deixando de investir-se em infraestruturas orçamentadas para o ano seguinte.


Quem não conhece a internet que a compre. Seria naturalmente inevitável que este caso provocásse uma onda de indignação monumental, a começar pelas redes sociais e pela página de Facebook da Greenpeace. Hordas de proto-imbecis rasgando as vestes, indignados ao saber que o destino escatológico das suas doações tenha sido o seu arqui-inimigo - os luciferianos mercados cambiais - e que as centenas de milhões de euros que são entregues todos os anos para a salvação da terna e suave Mãe-Natureza são afinal processadas em Wall Street por yuppies neo-liberais. Que cairia com o estrondo de uma sequoia gigante a quimera institucionalizada dos amantes de brócolos e pinguins roxos da Amazónia.

Quem não conhece os imbecis que os compre. Afinal, o que se viu foi que a reacção dos homenzinhos verdes é a de enaltecer da ONG a transparência e exultar com o seu fairplay e honestidade, enquanto renovam o seu amor incondicional com promessas de fazer mais e mais doações à tão honrada instituição.
É como fazer amor com uma árvore, enquanto se é sodomizado por um urso.

2 de junho de 2014

A propósito da abdicação do Rei de Espanha

Pouco me interessa o modelo de regime espanhol e das grandes monarquias europeias: apesar das vantagens, que para mim não deixam de ser evidentes, de ter-se como chefe de estado um Rei numa monarquia constitucional, o problema essencial mantém-se, ou seja, continua a existir uma dependência da nação a uma pequena pseudo-elite para quem a nação em si não consta na lista de prioridades.

Numa monarquia tradicional, onde a democracia é orgânica, uma pequena parte do poder está reservada ao Rei, num contrato que é estabelecido de forma natural, transparente e descomplexada entre o Rei e o Povo. Neste sistema, verifica-se que a grande parte do poder está na sua essência distribuído pelo Povo e pela Nação através dos municípios e dos seus mecanismos de administração.

Na democracia inorgânica, por outro lado, o essencial do poder está entregue de forma discreta e dissimulada a uma pequena pseudo-elite composta pelos homens que se escondem atrás dos partidos, pela maçonaria e pelos grandes interesses económicos. Neste cenário, que é aquele em que nos encontramos juntamente com a maioria do mundo dito civilizado, apenas uma parte insignificante do poder está de facto nas mãos da Nação, expressa pelo direito ao voto: um direito inútil e obsoleto que hoje é confundido com as noções de Democracia e de Cidadania.

Esta é a grande ilusão que nos tem sido vendida desde os tempos da Revolução Francesa, e consiste em convencer-nos de que a pirâmide do poder não está invertida. Só quando nos libertarmos do complexo da igualdade é que poderemos voltar a viver numa verdadeira Democracia, onde o poder, personificado na figura do Rei, emana de facto da nação e para o progresso e para o bem-estar da nação é conduzido.